NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderá a soberania brasileira e condenará tentativas de interferência externa na eleição durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta segunda-feira. A fala ocorrerá em meio à preocupação da campanha petista com uma possível atuação dos Estados Unidos em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal candidato de oposição.
Lula interromperá a campanha eleitoral por 48 horas para participar da agenda em Nova York. Embora o discurso tenha foco em temas internacionais, um assessor próximo do presidente afirmou que a mensagem sobre o pleito brasileiro será transmitida de forma “polida, mas firme”. Não haverá menções diretas a países ou autoridades.
Relação com Trump
O presidente brasileiro falará depois do presidente norte-americano, Donald Trump. No ano passado, Trump impôs tarifas a produtos brasileiros, alegando que a medida respondia ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Dois meses antes, havia anunciado tarifas de 50% para produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, com a justificativa de uma suposta perseguição a Bolsonaro.
Trump recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca, enquanto auxiliares do presidente norte-americano demonstraram preferência pelo senador. Também houve tentativas de envio de representantes do Departamento de Estado para discutir as eleições brasileiras e se reunir com o filho de Bolsonaro. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, fez declarações contra Lula.
Apesar da preocupação, a campanha do presidente aposta na relação construída entre Lula e Trump. Os dois se conheceram em uma conversa casual de 30 segundos nos corredores da ONU no ano passado. Desde setembro de 2025, tiveram três encontros presenciais e quatro telefonemas.
Não houve negociação para uma reunião formal entre os dois presidentes durante os dois dias de Lula em Nova York. O Palácio do Planalto, porém, acredita que eles possam conversar rapidamente caso se encontrem, sem a necessidade de um acordo prévio como o feito em 2025.
Agenda em Nova York
Lula chegou à cidade no final da tarde de domingo e deve retornar ao Brasil no início da tarde de terça-feira, após a abertura da Assembleia Geral. Nesta segunda-feira, ele também terá alguns encontros bilaterais.
Um deles será com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, democrata e um dos principais porta-vozes da oposição ao governo Trump. Mamdani já havia solicitado uma reunião com Lula em 2025, quando ainda estava em campanha, e voltou a fazer o pedido. Os assessores do presidente afirmam que o prefeito definirá o tema do encontro.



