SÃO PAULO — O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou como oportunismo eleitoral o anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as bets em todo o país. Para Tarcísio, o governo federal passou a tratar do tema apenas às vésperas da eleição.
A declaração foi dada neste sábado (26), após uma atividade de campanha na capital paulista. Lula tem como principal adversário na disputa presidencial o senador Flávio Bolsonaro (PL), que é apoiado por Tarcísio.
"É claro que é oportunismo eleitoral", afirmou o governador. Ele disse que o senso de urgência sobre o assunto surgiu "faltando nove dias, uma semana para a eleição".
Críticas à política econômica
Tarcísio relacionou o endividamento da população à política econômica do governo federal. Segundo ele, brasileiros recorrem às apostas online na tentativa de complementar a renda ou melhorar a situação financeira, mas acabam perdendo dinheiro.
O governador também criticou a terceira edição do programa Desenrola, anunciada nesta semana para renegociação de dívidas. Para Tarcísio, medidas desse tipo resolvem contas do passado, mas não tratam da capacidade de pagamento no futuro.
Embora tenha afirmado ser absolutamente contra as bets e os jogos de azar, Tarcísio defendeu uma discussão responsável sobre a proibição, com o objetivo de evitar insegurança jurídica. Ele também questionou como os clubes de futebol serão afetados pela perda de recursos de patrocínios das casas de apostas.
Nesta semana, Lula afirmou que os clubes terão de aprender a viver sem as bets. Tarcísio questionou se o governo pretende ajudar as equipes com dinheiro dos trabalhadores.
A medida foi anunciada por Lula um dia antes da declaração do governador. O governo federal apresenta a proibição como uma forma de combater o endividamento das famílias e os impactos sociais associados às apostas online.
Apesar das críticas ao momento e à forma da decisão, Tarcísio voltou a dizer que considera as apostas uma ameaça às famílias brasileiras. Ele defendeu que o país adote medidas para protegê-las.



