A Polícia Federal intimou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto, o dono do BTG Pactual, André Esteves, e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino. Os quatro serão ouvidos como testemunhas na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Como testemunhas, eles são obrigados a dizer a verdade. Os nomes foram citados no depoimento do ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Souza, investigado por suspeita de receber propina do banqueiro Daniel Vorcaro para favorecer o Master. Souza nega as irregularidades.
A investigação apura se ex-servidores do BC prestaram consultoria informal a Vorcaro em troca de vantagens financeiras. Com o inquérito perto da conclusão, a PF costuma ouvir alvos e pessoas citadas antes de definir a lista final de indiciados. Vorcaro depôs em 28 de agosto.
Na ocasião, ele afirmou que Souza não favoreceu o Master em processos do BC, mas admitiu ter feito um “agrado” ao ex-servidor ao apoiar uma viagem da família dele à Disney, nos Estados Unidos.
O Banco Central e o BTG Pactual ainda não se posicionaram sobre as intimações. A defesa de Campos Neto afirmou que não foi notificada. Em nota, os advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti disseram que o ex-presidente do BC “jamais foi intimado” e que não tinha conhecimento de um despacho de 3 de agosto.
Souza relatou à PF que tratou de supostas irregularidades do Master com Galípolo e Aquino antes da liquidação do banco pelo Banco Central. Também disse que, no fim de 2024, o BTG comunicou a descoberta de uma fraude bilionária do Master em uma reunião com a presença de Campos Neto.
Souza, que era diretor de Fiscalização do BC, foi afastado por decisão do STF. Além do inquérito da PF, ele e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, foram alvo de uma sindicância interna sobre o caso. A apuração foi iniciada por decisão de Galípolo, no fim do ano passado, e as informações foram encaminhadas à PF.
Souza autorizou a compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro. A instituição passou a se chamar Master. Belline assinou ofícios e despachos do Banco Central enviados ao Ministério Público Federal sobre o banco.



