A qualidade da alimentação pode contribuir para o funcionamento do cérebro, especialmente quando inclui peixes, ovos, feijão, lentilha, grão-de-bico, verduras, frutas e castanhas. Esses alimentos fornecem proteínas, fibras, gorduras insaturadas, vitaminas, minerais e compostos bioativos envolvidos em diferentes processos do organismo.
Isso não significa que exista um alimento capaz de recuperar a memória ou evitar, sozinho, doenças como Alzheimer. Estudos observacionais relacionam padrões alimentares com muitos vegetais, frutas, leguminosas, castanhas e peixes a melhores indicadores de saúde cognitiva, mas não comprovam que um item específico seja responsável por esse resultado.
O que está no prato
Peixes como sardinha, salmão e cavalinha fornecem os ácidos graxos ômega 3 DHA e EPA. O DHA integra as células do cérebro e participa do funcionamento do sistema nervoso. Já o EPA está relacionado a processos ligados à saúde cardiovascular e à regulação da inflamação.
Uma revisão publicada na Nutrition Reviews encontrou associação entre o consumo de peixe e menor risco de declínio cognitivo em parte dos estudos analisados. Os resultados sobre suplementos de EPA e DHA, porém, não confirmam de forma consistente a prevenção da demência. O peixe pode fazer parte de uma alimentação variada como fonte de proteína e gordura insaturada, sem que isso implique o uso de suplementos.
O ovo fornece colina, nutriente usado pelo organismo na produção de acetilcolina, um neurotransmissor envolvido em funções do sistema nervoso, como memória e aprendizagem. A colina também participa da estrutura das membranas celulares e de processos metabólicos. A presença desse nutriente torna o ovo parte possível de uma alimentação equilibrada, mas não transforma o alimento em tratamento para esquecimentos.
Feijão, lentilha e grão-de-bico oferecem fibras, proteínas, minerais e vitaminas do complexo B. Essas vitaminas participam de reações metabólicas, inclusive relacionadas ao sistema nervoso. A deficiência de vitamina B12 pode estar associada a fadiga, confusão e problemas de memória, de acordo com o National Heart, Lung, and Blood Institute.
Variedade é o principal ponto
Couve, brócolis, espinafre e outras verduras verde-escuras aparecem entre os alimentos priorizados pela dieta MIND, que reúne características das dietas mediterrânea e prioriza vegetais, frutas, leguminosas, castanhas e peixes. O padrão também inclui grãos integrais e frutas vermelhas.
Morangos, amoras e mirtilos fornecem fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos. Laranja e mexerica também podem integrar uma alimentação variada. Castanhas e outras oleaginosas oferecem gorduras insaturadas, proteínas, fibras e minerais.
O Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos, ligado ao NIH, informa que estudos observacionais encontraram associação entre maior adesão à dieta MIND e menor risco de demência e declínio cognitivo. A associação, no entanto, não prova relação de causa e efeito.
Para Sandra Fernandes, nutróloga da Kora Saúde, o cuidado pode ser especialmente relevante para pessoas que comem pouco ou seguem dietas muito restritivas. Cansaço e lapsos de memória também podem estar relacionados a sono inadequado, estresse, alterações metabólicas, medicamentos e outras condições. Quando houver indicação médica, possíveis deficiências devem ser investigadas.



