Pessoas com diabetes ou pressão alta não precisam necessariamente eliminar maionese, ketchup e mostarda da alimentação. A recomendação é observar a quantidade consumida, a frequência e a composição de cada produto, já que os nutrientes podem variar entre marcas e versões.
A nutricionista Cintya Bassi, coordenadora de Nutrição e Dietética do São Cristóvão Saúde, orienta atenção aos ingredientes e à frequência de consumo. “Muitos desses produtos têm alto teor de sódio, açúcar e aditivos, o que exige moderação”, afirma.
O que observar em cada condimento
A maionese costuma ter mais gordura e calorias por causa do óleo usado na receita. Isso não significa que o alimento seja proibido para pessoas com diabetes. Nesse caso, é preciso considerar a quantidade e o conjunto da refeição.
O ketchup pode apresentar açúcares adicionados, dependendo da formulação. Por isso, quem tem diabetes deve conferir a tabela nutricional e a lista de ingredientes, principalmente quando o produto é consumido com frequência.
A mostarda geralmente tem pouca ou nenhuma quantidade relevante de açúcar, mas o teor de sódio pode mudar bastante entre marcas e tipos. Assim, não há um condimento que seja inadequado para todas as pessoas em qualquer situação.
As diretrizes de 2026 da American Diabetes Association recomendam planos alimentares individualizados, definidos de acordo com a qualidade nutricional, as calorias e os objetivos metabólicos de cada paciente. A entidade também orienta limitar produtos processados com muito sal, açúcares adicionados e gorduras.
Açúcar e sódio no rótulo
O controle do diabetes não depende apenas da retirada de um ingrediente. A orientação é avaliar o padrão alimentar como um todo e priorizar alimentos nutritivos e minimamente processados. Nos condimentos, vale comparar carboidratos e açúcares adicionados, sempre considerando o tamanho da porção indicada na embalagem.
A versão “zero açúcar” pode ter menos ou nenhum açúcar adicionado, mas ainda conter sódio, gordura, adoçantes ou outros ingredientes. Portanto, a indicação no rótulo não significa, por si só, que o produto tenha o melhor perfil nutricional.
Para quem tem pressão alta, o sódio merece atenção especial. Em vez de observar apenas o sal usado no preparo ou colocado à mesa, é necessário verificar também o que está presente nos produtos industrializados. A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos consumam menos de 2 gramas de sódio diariamente, quantidade correspondente a menos de 5 gramas de sal. O Ministério da Saúde também inclui evitar o excesso de sal entre as medidas de prevenção e controle da hipertensão.
Como comparar os produtos
As regras de rotulagem nutricional determinam que as embalagens informem açúcares totais e adicionados, além dos nutrientes por 100 gramas ou 100 mililitros. A medida facilita a comparação entre produtos.
A parte da frente da embalagem deve exibir a lupa quando houver alto teor de açúcares adicionados, gordura saturada ou sódio. Para alimentos sólidos e semissólidos, os limites são 15 gramas ou mais de açúcares adicionados, 6 gramas ou mais de gordura saturada ou 600 miligramas ou mais de sódio por 100 gramas.
Fora de casa, a avaliação pode ser mais difícil, porque nem sempre é possível saber qual produto foi usado ou quanto foi acrescentado à refeição. Nesses casos, a recomendação é controlar a quantidade e a frequência, diversificar a alimentação e priorizar alimentos naturais.
“Não é necessário excluir totalmente esses alimentos, mas sim ajustar a quantidade e escolher versões com melhor perfil nutricional”, orienta Bassi.



