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Saúde

Hospitais adotam práticas da aviação e da energia nuclear para reduzir falhas

Modelo de alta confiabilidade busca antecipar riscos, aprender com incidentes e criar barreiras para proteger pacientes.

Hospitais adotam práticas da aviação e da energia nuclear para reduzir falhas

Hospitais passaram a observar práticas da aviação comercial e da energia nuclear para lidar com decisões sob pressão e reduzir danos evitáveis. A abordagem é conhecida como Organização de Alta Confiabilidade, ou HRO, sigla em inglês para High Reliability Organization.

O modelo é aplicado em ambientes de alto risco que precisam manter operações seguras por longos períodos. Na saúde, a proposta é incorporar a segurança aos processos e à rotina das instituições, com atenção aos sinais de risco antes que eles provoquem eventos adversos.

Uma revisão publicada em 2026 na PLOS Global Public Health reuniu 11 estudos sobre a aplicação desses princípios na área da saúde. Entre os resultados, um dos estudos identificou redução de 71% em condições adversas adquiridas durante a internação, como infecções, quedas, problemas relacionados a medicamentos e lesões por pressão. Também foi registrada uma redução de 32% nos eventos graves de segurança.

Os princípios da alta confiabilidade

O modelo começa pela atenção às pequenas falhas. Atrasos na administração de medicamentos, informações pouco claras e etiquetas difíceis de ler podem indicar fragilidades do sistema e devem ser analisados antes que contribuam para problemas maiores.

Outro princípio é reconhecer que incidentes geralmente resultam de vários fatores. A análise deve considerar comunicação entre equipes, processos de trabalho, sobrecarga, tecnologias, recursos disponíveis e condições do ambiente, em vez de atribuir o problema somente a uma pessoa.

Também é necessário acompanhar o que ocorre na linha de frente. Relatórios e indicadores não substituem o conhecimento sobre gargalos e sobre a forma como o trabalho de uma equipe interfere no de outra. A resiliência, por sua vez, envolve responder rapidamente aos imprevistos, limitar seus efeitos e aprender com eles.

O quinto princípio valoriza o conhecimento técnico de quem está mais próximo do problema, independentemente do cargo. Em uma crise, a decisão mais adequada pode depender da experiência diretamente ligada à situação.

Práticas no dia a dia

A aplicação desses conceitos inclui pesquisas internas sobre a cultura de segurança e as condições de trabalho. Também envolve investigações de incidentes voltadas a reconstruir os acontecimentos, identificar fatores contribuintes e criar barreiras para evitar repetição.

A chamada cultura justa diferencia uma falha humana ou uma fragilidade do sistema de uma conduta deliberadamente negligente. Quando os erros são tratados sempre como culpa individual, os profissionais podem deixar de relatar riscos. Com transparência, a instituição consegue agir antes que os problemas se repitam.

Visitas regulares das lideranças aos setores ajudam a identificar dificuldades operacionais. Reuniões rápidas entre equipes, conhecidas como huddles, permitem compartilhar informações, antecipar riscos e alinhar o cuidado.

As soluções também podem ser criadas pelas equipes locais. Listas de checagem para a passagem de plantão, dupla conferência e medidas para reduzir distrações durante a administração de medicamentos são exemplos de intervenções possíveis.

Para o paciente, esse trabalho aparece em ações como a conferência de um medicamento, a transmissão correta de informações na troca de plantão e a identificação precoce de uma infecção. A alta confiabilidade não significa eliminar todos os erros, mas criar uma organização capaz de antecipar riscos, reconhecer vulnerabilidades e aprender continuamente com os incidentes.

Fábio Gomes da Conceição é cardiologista e gerente de Práticas Médicas, Qualidade e Segurança do Paciente e Desfechos Clínicos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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