Paulo Roberto Teixeira morreu aos 77 anos no sábado (19). Médico sanitarista, ele participou da construção de políticas brasileiras de enfrentamento ao HIV e à Aids. A causa da morte não foi divulgada.
O Ministério da Saúde lamentou o falecimento e destacou a atuação de Teixeira na saúde pública. Segundo a pasta, o trabalho do médico ajudou a fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e a ampliar o acesso de milhares de pessoas ao atendimento e aos medicamentos antirretrovirais.
Em 2000, quando comandava o Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Teixeira passou a denunciar que os preços dos medicamentos dificultavam a manutenção do acesso universal ao tratamento da Aids pelo SUS. Ele também defendia a quebra de patentes de laboratórios farmacêuticos.
Atuação internacional
Teixeira questionava os efeitos da Lei de Patentes brasileira, aprovada em 1996, sobre o acesso à saúde. Ele organizou um programa internacional de transferência de tecnologia entre países do Sul global para a fabricação de antirretrovirais genéricos.
A iniciativa contribuiu para que, em 2001, a Organização Mundial do Comércio (OMC) reconhecesse que o direito à saúde está acima das regras de propriedade intelectual. O movimento também fortaleceu a defesa, por países pobres, do acesso ao tratamento.
Além de liderar os programas estadual e nacional de HIV/Aids, Teixeira trabalhou internacionalmente na Organização Mundial da Saúde (OMS). O Ministério da Saúde ressaltou que sua atuação era baseada na ciência, no respeito e na garantia de direitos.
Em nota, a pasta reconheceu a contribuição do médico e manifestou solidariedade a familiares, amigos, colegas e a todos que fizeram parte de sua trajetória.



