Curitiba, Sábado, 3 de outubro de 2026
Curitiba 11°C 11° / 21° Mega-Sena 3065: 8 · 10 · 30 · 38 · 50 · 53
O que acontece aqui, primeiro
Brasil

Tecnologia na segurança une candidatos em estados com maior letalidade policial

Propostas citam inteligência artificial, câmeras e integração de dados, mas especialistas afirmam que as ferramentas não reduzem sozinhas a violência policial.

Tecnologia na segurança une candidatos em estados com maior letalidade policial

A inteligência artificial, o videomonitoramento e a integração de bases de dados aparecem nas propostas de candidatos ao governo de estados com altos índices de letalidade policial. As medidas são defendidas por nomes de diferentes campos políticos, mas especialistas afirmam que a tecnologia, isoladamente, não impede mortes provocadas por agentes de segurança.

Em 2025, ações de agentes de segurança resultaram em 6.602 homicídios no país, o maior número absoluto da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública desde 2016. O levantamento aponta Amapá, Bahia, Sergipe, Pará, Goiás, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Alagoas entre os estados com forças de segurança mais letais. Todos registraram índices acima da média nacional, de 3,1 mortes a cada 100 mil habitantes.

O professor de ciência política Bruno Konder Comparato, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que investimentos em sistemas integrados precisam ser acompanhados por treinamento e técnicas não letais. Para ele, quem provoca a morte é o policial armado, e não o sistema tecnológico.

Amapá concentra exemplos de integração

O Amapá utiliza iniciativas de integração de dados e produção de inteligência, mas foi a unidade da federação com a maior taxa de letalidade policial pelo 7º ano consecutivo em 2025. Desde 2024, o estado também registra o maior índice de homicídios em geral do país.

O governador Clécio Luiz (União), candidato à reeleição, anunciou em junho deste ano um novo sistema estadual de inteligência. A estrutura deve reunir o Centro Integrado de Inteligência em Segurança Pública, órgãos de segurança e agências federais, como a Polícia Federal (PF) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

O plano de governo prevê câmeras inteligentes em entradas e saídas de municípios, áreas de maior incidência criminal, rodovias e equipamentos públicos. A proposta inclui reconhecimento de placas, identificação de veículos com restrição, videomonitoramento em tempo real e inteligência artificial. O documento não apresenta medidas específicas para reduzir a letalidade policial.

O adversário de Clécio Luiz, o ex-prefeito de Macapá Dr. Antônio Furlan (PSD), também propõe ampliar videomonitoramento, inteligência artificial e análise de dados. O plano prevê um sistema integrado para rotas logísticas e áreas estratégicas, com informações sobre criminalidade, apreensões de drogas e armas, organizações criminosas e disputas territoriais.

Um estudo da Universidade Federal do Amapá e da Universidade de Lisboa relaciona as mortes causadas por intervenção policial ao avanço do narcotráfico. A pesquisadora Ariadne Natal, associada ao Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), afirmou que as respostas das instituições de segurança estão em descompasso com as ameaças registradas. Entre 2015 e 2023, o Amapá teve média de 80 civis mortos para cada policial vitimado.

Bahia e Goiás

Bahia e Goiás também estão entre os estados com maiores taxas de mortes provocadas por agentes de segurança. Em Goiás, Daniel Vilela (MDB), candidato que representa a continuidade da atual política estadual, defende a expansão do videomonitoramento inteligente, a análise de dados e o reconhecimento de padrões para antecipar crimes, em uma proposta chamada de IA Contra o Crime.

O estado afirma que a letalidade policial caiu mais de 40% desde 2020. Ainda assim, a polícia foi responsável por 362 mortes em 2025, enquanto há suspeitas sobre a atuação de grupos de extermínio formados por policiais militares.

Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, anunciou um plano de redução da letalidade policial. Mesmo assim, 1.570 pessoas foram mortas pela ação das forças de segurança do estado em 2025, quase 25% do total nacional.

Rodrigues promete ampliar câmeras corporais, videomonitoramento inteligente, reconhecimento facial, leitura automática de placas e a integração de câmeras públicas e privadas. A proposta também inclui a expansão do plano estadual de redução da letalidade policial.

Propostas para o país

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, propõe um sistema nacional de inteligência criminal. A ideia é usar inteligência artificial para cruzar dados, identificar redes criminosas, orientar operações e acompanhar a movimentação interestadual de suspeitos e presos.

O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, defende um Sistema Nacional de Segurança Pública mais articulado e o fortalecimento da integração entre União, estados e municípios. A proposta também menciona o reforço da inteligência estatal.

Chico Lucas, titular da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), afirma que a União integra dados produzidos pelos estados e oferece ferramentas como o Infoseg e o Córtex. Segundo ele, cabe aos estados executar as ações de segurança, enquanto o governo federal fornece tecnologia e logística, respeitando o pacto federativo.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.