A Ativa manteve a recomendação neutra para as ações da Ultrapar (UGPA3) e estabeleceu preço-alvo de R$ 44. O valor representa potencial de alta de 17,55% em relação ao fechamento de quarta-feira (30), mas a corretora avalia que parte da melhora da Ipiranga já foi incorporada à cotação.
A distribuidora de combustíveis teve desempenho excepcional no segundo trimestre de 2026. O Ebitda recorrente chegou a R$ 451/m³, o equivalente a três vezes a média registrada entre 2023 e 2025. Para a Ativa, esse resultado foi um “ponto fora da curva”.
A projeção é de redução do indicador nos trimestres seguintes: R$ 283/m³ no terceiro trimestre e R$ 246/m³ no quarto trimestre. Ainda assim, a estimativa para os últimos três meses de 2026 ficaria acima dos resultados de qualquer trimestre de 2024 e 2025.
Projeções e riscos
O analista Ilan Arbetman estima Ebitda recorrente de R$ 190/m³ em 2027 e de R$ 211/m³ em 2030. A Ativa relaciona parte da melhora à formalização do setor, que ajudaria a Ipiranga a retornar a cerca de 18% de participação de mercado.
A corretora afirma que informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a teleconferência com investidores confirmam esse movimento. A diretoria da Ultrapar também vê um mercado mais saudável e prefere devolver caixa a crescer “a qualquer preço”.
Entre os fatores que podem afetar as ações estão a possível venda de uma fatia da Ipiranga e o novo subsídio ao diesel de setembro. A negociação poderia indicar um valor acima da estimativa feita pelo fluxo de caixa descontado, enquanto o subsídio pode ampliar o espaço para importadores e pressionar as margens.
A Ativa informa que os dividendos aumentam com a dívida líquida abaixo de 1,5 vez o Ebitda. A taxa interna de retorno implícita de 14,0% está próxima do custo médio ponderado de capital, o que sustenta a recomendação neutra.
A R$ 39,40, a Ultrapar é negociada a 6,2 vezes o Ebitda projetado, acima da média de 4,85 vezes observada desde agosto de 2024. A visão da corretora poderia mudar se a venda da participação ocorresse acima do valor estimado ou se a margem permanecesse acima de R$ 200/m³ em 2027.



