SÃO PAULO — Mais de 40 ETFs ligados a criptoativos estão disponíveis na B3, com diferentes formas de exposição, segundo dados apresentados por Jackeline Melaines, da Bolsa. Um levantamento citado por ela estima em cerca de 30 milhões o número de brasileiros que têm investimentos em criptoativos.
Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (16), durante o painel “Democratizando acesso: Ativos Digitais por meio de ETFs”, realizado na B3 Week 2026, durante o ETF Day. Participaram da conversa Guilherme Gomes, CEO da Oranje BTC, e Samir Kerbage, da Hashdex. Melaines mediou o debate.
Diversificação na carteira
Kerbage afirmou que a baixa correlação histórica entre criptoativos e outras classes de ativos é o principal argumento para a inclusão desse tipo de investimento em carteiras profissionais. No Brasil, segundo ele, essa relação ficou próxima de zero em determinados períodos, o que pode melhorar a combinação entre risco e retorno quando a exposição é feita de maneira disciplinada.
A estratégia defendida pelo executivo é definir uma parcela para o criptoativo e fazer rebalanceamentos ao longo do tempo. Assim, o investidor reduz a posição depois de altas e recompõe o percentual após quedas, sem tentar prever o próximo movimento do Bitcoin.
Para Gomes, ainda existe resistência entre investidores institucionais porque o Bitcoin surgiu fora da estrutura financeira tradicional. Na avaliação dele, o ativo passou a fazer parte desse sistema, e uma exposição pequena pode cumprir uma função em uma carteira diversificada. O tamanho dessa parcela, porém, depende do perfil de cada investidor.
Formas de acesso
Gomes apresentou três caminhos para investir em Bitcoin. Na custódia própria, o investidor mantém o controle direto do ativo e assume a responsabilidade pela segurança das chaves. Nos ETFs, a compra pode ser feita pelo home broker, enquanto a custódia fica sob responsabilidade de instituições especializadas, mediante cobrança de taxa de administração.
Também é possível buscar empresas listadas que mantêm Bitcoin no balanço e usam o mercado de capitais para aumentar essas reservas. Para quem não quer selecionar moedas digitais individualmente, Kerbage recomendou considerar índices diversificados, com critérios de elegibilidade, liquidez e presença institucional, antes de optar por exposições mais específicas.
Derivativos
Além dos ETFs, a B3 passou a oferecer derivativos associados a esses fundos depois de lançar contratos futuros de Bitcoin, Ether e Solana. De acordo com Kerbage, opções e futuros podem ser usados em estratégias de proteção, geração de renda e exposição à alta dos ativos, sem que o investidor precise carregar toda a volatilidade.
Gomes resumiu a avaliação sobre a variedade de instrumentos: “Quanto mais formas e mais maneiras de você ter exposição ao Bitcoin e à sua economia, mais interessante”.
A B3 Week 2026 ocorre entre 14 e 16 de setembro, em São Paulo. Em sua sétima edição, o evento reúne discussões sobre economia, tendências globais, regulação, investimentos, dados e tecnologia.



