O Bank of America mudou de venda para neutra a recomendação para as ações da SLC Agrícola (SLCE3), diante da expectativa de um ciclo mais favorável para os grãos no Brasil. Para o banco, o cenário pode sustentar os resultados da empresa até 2027.
As analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo afirmam que os preços dos grãos subiram mais de 20% nos últimos dois meses e acumulam alta superior a 30% no ano. Entre os fatores apontados estão duas guerras, o clima adverso nos Estados Unidos, o estresse de safra na Europa, o fortalecimento do El Niño e a mudança de posição na CFTC, agência do governo americano que regula o mercado de derivativos.
A equipe global de agricultura do BofA espera que as disrupções mantenham os preços elevados até 2027. A SLC tende a se beneficiar principalmente de valores mais altos para milho e soja, embora o câmbio continue sendo a principal incerteza. Um real mais forte pode reduzir parte do ganho provocado pela valorização dos grãos.
Riscos no curto prazo
O banco trabalha com o dólar a R$ 5,0 em 2027. A estimativa é que cada mudança de R$ 0,10 nessa premissa altere em 1,8% o Ebitda projetado para 2027.
Entre os obstáculos para a SLC estão os custos de produção do milho, estimados em alta de 8,3% em relação ao último ano, e o risco de pressão sobre a produtividade associado ao El Niño. As travas de preço também limitam a exposição da companhia à alta das commodities.
Cerca de 50% da produção de algodão e soja de 2027 está travada abaixo do preço à vista. Aproximadamente 40% da safra de algodão de 2026 foi protegida a US$ 0,75 por libra, enquanto o mercado à vista estava em US$ 0,83 por libra.
Apesar da perspectiva de resultados mais fortes, o BofA estima retorno de fluxo de caixa livre de 6% para 2027. O indicador deve ser pressionado pelo aumento da alavancagem.
A dívida líquida da SLC, segundo o relatório, passaria de R$ 3,6 bilhões em 2024, equivalentes a 2,0 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda, para R$ 6,1 bilhões em 2026, ou 2,4 vezes. A projeção considera cerca de R$ 2,25 bilhões em aquisições de terras e o risco de novas compras enquanto a Radar continuar monetizando ativos.



