O Bank of America (BofA) vê cenários diferentes para BB Seguridade, Caixa Seguridade e Porto no terceiro trimestre de 2026. O banco estima lucros de R$ 2,2 bilhões para a BB Seguridade e de R$ 1,2 bilhão para a Caixa Seguridade, em linha com suas próprias projeções. Para a Porto, a expectativa é de lucro 7% abaixo do previsto, devido ao aumento dos sinistros.
A recomendação é de venda para a BB Seguridade, compra para a Caixa Seguridade e posição neutra para a Porto. A análise considera dados de julho do regulador de seguros e os indicadores mais recentes das companhias.
BB Seguridade sente impacto do setor rural
Na BB Seguridade, os analistas Mario Pierry e Antonio Ruette projetam lucro líquido de R$ 2,2 bilhões no terceiro trimestre de 2026. Apesar de o resultado estar alinhado às estimativas, os prêmios emitidos ficaram 21% abaixo do esperado pelo BofA. Em julho, houve queda de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior, principalmente por causa da retração no segmento rural.
A sinistralidade ficou em 22,8%, 30 pontos-base acima da previsão do banco. O resultado financeiro também operou 5% abaixo do esperado, pressionado pelo descasamento do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) na Brasilprev.
As contribuições de previdência, por outro lado, superaram as estimativas e ajudaram a sustentar taxas de administração acima do previsto. Ainda assim, o BofA manteve a recomendação de venda e projeta queda do lucro líquido em 2027, em um cenário de retração dos prêmios emitidos, normalização da sinistralidade e juros mais baixos.
Caixa mantém perfil defensivo
Para a Caixa Seguridade, o BofA estima lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no terceiro trimestre de 2026, também em linha com a projeção. Os prêmios emitidos cresceram 5% em relação ao ano anterior, com avanço maior nos seguros hipotecário e residencial compensando o desempenho mais fraco em crédito vida.
A sinistralidade ficou em 24,2% no terceiro trimestre de 2026, em linha com as estimativas e com os níveis históricos. As contribuições de previdência também vieram acima do esperado, favorecendo as taxas de administração. O resultado financeiro, entretanto, ficou abaixo da previsão.
O banco reiterou a recomendação de compra e afirmou que os dados reforçam sua avaliação de que a companhia tem um perfil de lucro defensivo.
Porto tem pressão maior nos sinistros
Na Porto, os resultados de subscrição ficaram 22% abaixo do esperado pelo BofA. O desempenho foi afetado pela sinistralidade mais alta nos seguros de automóveis, vida e residencial. No consolidado, o índice chegou a 52,9% no terceiro trimestre de 2026, 240 pontos-base acima do estimado pelo banco.
A companhia manteve o crescimento das vendas sem reduzir de forma significativa a rentabilidade para ampliar sua participação no mercado de automóveis. O relatório também registra que o EBT representou 1%, ante 15% historicamente. Considerando outras verticais, esse dado implicaria lucro líquido consolidado 3% acima das estimativas do BofA.
Com a hipótese de normalização dessa linha em agosto e setembro, porém, o banco calcula que o lucro líquido fique 7% abaixo do projetado. A recomendação para a Porto foi mantida como neutra.


