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Economia

Fluxo estrangeiro e juros colocam Banco do Brasil e Petrobras no radar eleitoral

Analistas veem espaço para a Bolsa avançar, mas alertam que pesquisas e decisões sobre juros podem ampliar as oscilações até a eleição de 2026.

Fluxo estrangeiro e juros colocam Banco do Brasil e Petrobras no radar eleitoral
Foto: Adobe Stock

A retomada do fluxo estrangeiro e a expectativa de cortes de juros ajudaram a sustentar a recuperação do Ibovespa em setembro. O índice opera próximo dos 185 mil pontos e acumula alta de 4% no mês, depois de registrar onze sessões consecutivas de queda em agosto e de ver R$ 18 bilhões deixarem a B3.

Até o dia 16, investidores estrangeiros ingressaram na Bolsa brasileira com R$ 6,287 bilhões. A mudança ocorre em um ambiente de maior disputa eleitoral: as pesquisas citadas por analistas mostram Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em um eventual segundo turno das eleições 2026.

Juros e cenário externo

No início de setembro, o Bank of America elevou a recomendação para o Brasil de marketweight, equivalente à neutra, para overweight, equivalente à compra. O banco também reduziu a projeção para a Selic no fim de 2027, de 12,75% para 11,25%.

A avaliação é que a desaceleração da atividade e a redução dos riscos de inflação podem abrir espaço para cortes de juros mais intensos. Nesse cenário, a alta das ações brasileiras poderia compensar revisões negativas de lucros, a perda de ritmo da demanda e as incertezas eleitorais.

Mônica Araújo, economista-chefe da InvestSmart XP, afirmou que a desaceleração precisa ser cautelosa e não apontar para uma recessão. Para ela, um quadro desse tipo seria negativo para a renda variável.

Outro impulso veio do Tesouro dos Estados Unidos, que anunciou em agosto o aumento das recompras de Treasuries de prazo mais longo. O limite passou de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões nos títulos com vencimento de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos. A medida amplia a liquidez disponível e favorece o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira e a valorização do real.

Eleição pode aumentar as oscilações

Apesar da combinação de fatores favoráveis, a trajetória até os 200 mil pontos tende a ser instável. O Ibovespa chegou perto dessa marca em abril, quando superou os 199 mil pontos, mas não avançou além desse nível.

Para Araújo, mudanças nas pesquisas, o resultado do primeiro turno e possíveis escândalos de corrupção estão entre os fatores capazes de reverter a alta recente. Ela também citou o noticiário envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e o caso Master.

Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, disse que uma mudança nas pesquisas pode provocar uma correção rápida. Na avaliação dele, parte da valorização recente reflete alteração nas expectativas, e não uma melhora já concretizada nos resultados das empresas.

Banco do Brasil e Petrobras

A Ativa Investimentos incluiu as ações do Banco do Brasil, identificadas pelo código BBAS3, na carteira recomendada para setembro. A corretora considera que o papel pode capturar a reprecificação do risco eleitoral e responder melhor à retomada do fluxo estrangeiro, embora espere uma melhora operacional gradual.

Após cair 16,63% entre o início e meados de agosto, a ação subiu 28,94% entre 18 de agosto e 10 de setembro, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria. No mesmo intervalo, Magazine Luiza avançou 38,79%, Yduqs ganhou 37,65% e a CSN registrou alta de 58,37%.

As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras acumulam alta superior a 6% em setembro. A Genial Investimentos avalia que parte do desconto da companhia em relação a petroleiras internacionais está ligada à condição estatal e às incertezas sobre política de preços, disciplina de capital e remuneração dos acionistas.

A corretora calcula um desconto de 19,9% ante empresas estatais e de 46,6% em relação às companhias privadas. Uma eventual vitória de um candidato pró-mercado poderia reduzir a percepção de risco antes de mudanças nos resultados operacionais, mas a sustentação desse movimento dependeria de nomeações e decisões verificáveis ao longo do tempo.

Bruno Benassi, analista de ativos da Monte Bravo, ponderou que o desempenho da Petrobras também dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio e do comportamento do petróleo. Uma resolução da guerra e uma correção no preço da commodity poderiam limitar o benefício do chamado trade eleitoral.

Carteiras para os dois resultados

O Citi prefere, em um cenário de reeleição de Lula, empresas capazes de manter o desempenho em diferentes condições de mercado e companhias expostas a programas públicos como o Minha Casa, Minha Vida. Com uma vitória de Flávio Bolsonaro, a preferência passa a ser por ações cíclicas e, de forma seletiva, por empresas alavancadas que poderiam se beneficiar de juros longos mais baixos.

A Kinea Investimentos busca uma carteira válida nos dois cenários, com companhias de crescimento previsível de lucros, empresas ligadas ao Minha Casa, Minha Vida e papéis de utilities de energia e saneamento. A gestora também procura oportunidades de recuperação nos setores financeiro, industrial e varejista.

Na carteira associada à reeleição de Lula, Max Bohm, estrategista-chefe da Nomos, selecionou Suzano, Weg, BB Seguridade, Caixa Seguridade e Tim. A proposta reúne exportadoras favorecidas por um dólar mais valorizado e empresas defensivas.

Para o cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, o portfólio inclui Petrobras, Banco do Brasil, Axia Energia, BTG Pactual e Cyrela. A seleção combina estatais sujeitas a mudanças de gestão, companhias com potencial de melhora na governança e empresas cíclicas beneficiadas por juros mais baixos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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