A China se apresenta como uma alternativa no mercado financeiro global, enquanto governos e empresas buscam diversificar seus fluxos de capital e suas opções de financiamento. A avaliação é da economista Fabiana D’Atri, superintendente de economia e economista sênior na Bradesco Asset Management.
Durante um debate promovido pela Meridiana, organização de inteligência política, Fabiana afirmou que a China vem se oferecendo como um mercado de capitais alternativo aos Estados Unidos e à Europa. Nesse cenário, ela citou a possibilidade de o Brasil acessar o mercado chinês por meio de uma operação soberana.
“Vejo, por exemplo, o Brasil caminhando para uma emissão de títulos soberanos no mercado chinês, que abriria, inclusive, a porta para empresas brasileiras acessar esse mercado”, disse a economista.
Fabiana também é diretora de economia do Conselho Empresarial Brasil-China. Para ela, a movimentação ocorre em um ambiente no qual países e investidores tentam reduzir dependências e ampliar as alternativas de financiamento.
Estratégia chinesa
Ao explicar a estratégia de Pequim, a economista apontou três pilares: estabilidade; segurança e autossuficiência; e um modelo econômico que prioriza a oferta. Segundo Fabiana, a segurança inclui dimensões como segurança alimentar e segurança energética, além do domínio de tecnologias de fronteira.
“Eu não posso depender da tecnologia do outro”, comentou, ao descrever a lógica do governo chinês.
A economista também afirmou que, diante de dois grandes polos de oferta de soluções, Estados Unidos e China, os países tendem a adotar uma resposta pragmática. Para Fabiana, a tendência atual é diversificar, enquanto o Brasil precisa calibrar seus interesses em uma relação que combina parceria e concorrência.
Ela acrescentou que o desafio está em definir como o Brasil poderá cooperar e, ao mesmo tempo, competir.



