O Brasil e a China são apresentados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) como exemplos da redistribuição do poder econômico que tornou mais complexo o sistema multilateral de comércio. A avaliação está no Relatório sobre o Comércio Mundial de 2026, publicado na terça-feira, 15.
A participação de economias de renda baixa e média no comércio mundial de mercadorias quase dobrou desde 1995 e chegou a 45%. O relatório afirma que o crescimento de grandes emergentes ampliou sua influência sobre os mercados e pressionou compromissos negociados em um período de distribuição diferente do poder global.
A China entrou na OMC em 2001. O Brasil, junto com a Índia, já aparecia entre os emergentes de influência crescente durante a Rodada Uruguai, concluída em 1994.
Tratamento diferenciado e medidas comerciais
O documento também aborda o tratamento especial e diferenciado destinado a economias em desenvolvimento. Brasil, China, Coreia do Sul, Costa Rica e Cingapura indicaram disposição de não recorrer a esse mecanismo em negociações atuais ou futuras, mas sem abrir mão formalmente do status de economia em desenvolvimento.
Em 2022, Pequim anunciou que não utilizaria uma das flexibilidades previstas para emergentes nas regras de propriedade intelectual. A OMC relaciona o avanço de modelos econômicos diferentes a tensões envolvendo política industrial, subsídios e empresas estatais.
Produtos chineses aparecem em exemplos de metodologias especiais usadas em investigações antidumping. Entre 2015 e 2025, o Brasil esteve entre os sete maiores usuários desse instrumento. Esse grupo respondeu por quase dois terços das medidas adotadas no período.
O relatório também cita efeitos internos da integração comercial. Estudos reunidos pela OMC indicam que regiões brasileiras expostas à concorrência de produtos importados tiveram recuperação lenta. Trabalhadores afetados por choques de importação tendem a migrar para a informalidade por períodos prolongados.
Na China, a concentração da produção de minerais estratégicos é apontada como outro ponto de atenção. O país está entre os principais produtores de terras raras, grafite e gálio, enquanto avançam subsídios, controles de exportação e acordos para reduzir dependências geopolíticas.



