O cônsul-geral da Itália em Belo Horizonte, Pietro Tombaccini, vê no acordo entre o Mercosul e a União Europeia uma oportunidade para ampliar os negócios entre empresas italianas, Minas Gerais e o Brasil. A primeira missão empresarial italiana após o acordo reúne mais de 90 empresas no país entre os dias 7 e 11 de setembro de 2026.
A agenda inclui encontros diretos entre empresas e investidores nos dias 9 e 10, além de reuniões em Brasília sobre regras, autorizações e compras públicas. A comitiva é comandada por Emanuele Orsini, presidente da Confindustria, e conta com a presença do chanceler italiano Antonio Tajani.
Embora a missão não passe por Minas, Tombaccini afirma que os resultados podem beneficiar o estado. Para ele, o acordo abre espaço para fortalecer parcerias existentes e criar novas relações comerciais entre os dois países.
Seis setores estratégicos
As empresas participantes estão organizadas em seis áreas: transição energética e energias renováveis; agroalimentação; máquinas e equipamentos industriais; tecnologias digitais e soluções de tecnologia da informação; setor farmacêutico e médico; e infraestrutura sustentável e mineração.
A proposta é combinar a escala de recursos do Brasil com a tecnologia e a especialização da indústria italiana. Entre as possibilidades citadas estão projetos de descarbonização, novas parcerias para exportação e processamento de alimentos, modernização da manufatura, automação, pesquisa e equipamentos de saúde.
Tombaccini também destacou a mineração. Ele disse ter conhecido empresas italianas competitivas no setor durante a Exposibram e afirmou que os minerais críticos são importantes para a indústria moderna. Segundo o cônsul, a Itália tem poucas matérias-primas e pode buscar no Brasil insumos para sua produção.
A agroindústria aparece entre as áreas com maior potencial. A avaliação é que empresas italianas podem agregar valor à produção mineira por meio de produtos acabados, qualidade e criação de marcas. Para os mineiros, o acordo pode funcionar como uma porta de entrada para o mercado europeu.
Relações históricas
A presença italiana em Minas também é associada à Fiat, que completa 50 anos no estado. Tombaccini citou ainda a Fundação Torino e a Casa Fiat de Cultura como instituições que ampliaram a presença cultural italiana na região.
O café é outro ponto de aproximação comercial. A relação inclui também leite e queijo. O cônsul afirmou que a Itália compra café do Brasil e agrega valor ao produto final ao associá-lo a um estilo de vida e a produtos italianos.
A Itália, segundo Tombaccini, tem quase 60 milhões de habitantes distribuídos em 7.894 municípios e é o quarto país exportador, atrás de China, Estados Unidos e Alemanha. A projeção para este ano é exportar 650 bilhões de euros em bens. Para 2027, a meta é superar 700 bilhões de euros, sem considerar os serviços.
Atendimento em Minas
No início do trabalho em Belo Horizonte, o cônsul pretende organizar os serviços do consulado e ampliar o atendimento fora da capital. Entre as atividades estão a emissão, a renovação e a regularização de documentos, além dos processos de reconhecimento de cidadania.
Ele também quer conhecer as regiões e os municípios mineiros, participar de eventos e divulgar a cultura, a economia e os negócios da Itália. Em outubro, estará em Poços de Caldas e Ouro Fino para uma festa italiana e um mutirão de atendimento a italianos que vivem na região e querem tirar passaporte.
A visita também deve incluir o conhecimento de autoridades locais, da cultura e dos negócios das duas cidades. Em Poços de Caldas, Tombaccini pretende conhecer a fábrica da Ferrero Rocher, instalada no município em 1997.



