O dólar subiu mais de 2% ante o real em agosto, mas ainda acumula queda de cerca de 6% no ano. Nas últimas semanas, a cotação tem permanecido entre R$ 5,10 e R$ 5,20, mesmo com as projeções do mercado apontando resultados diferentes para depois das eleições de 2026.
A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) é tratada pelos agentes financeiros como uma corrida acirrada, com dois cenários principais para os ativos: um negativo e outro positivo. A definição depende do resultado das urnas e da possibilidade de um ajuste fiscal que contenha o crescimento da dívida pública a partir de 2027.
O Morgan Stanley considera o câmbio um dos principais meios de transmissão das expectativas sobre a situação fiscal e do risco eleitoral no Brasil. Para o banco, o dólar pode chegar a R$ 6 em um cenário ruim e recuar para R$ 4,50 em uma hipótese positiva. O cenário-base aponta para R$ 5,25, próximo da cotação atual.
Em 2026, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos ajuda a sustentar o real e desloca parte do ajuste que costuma ocorrer antes das eleições para a curva de juros. O risco, segundo a análise, é uma deterioração rápida caso prevaleça o cenário mais pessimista. Episódios anteriores de preocupação fiscal levaram o mercado a projetar inflação e juros maiores, pressionando o real, afirmou o Morgan Stanley.
Mauro Orefice, gestor de portfólio da B.Side Wealth Management, avalia que o dólar poderia ficar abaixo de R$ 4,80 e eventualmente alcançar R$ 4,50 se houver encaminhamento da questão fiscal no médio prazo. Ele também considera possível uma reação rápida da moeda caso o mercado perca a confiança no cenário econômico.
Opções de dólar como proteção
Diante da indefinição, a B.Side montou uma posição tática em opções de dólar. A estratégia considera que a Bolsa e os juros já estão pressionados e que o câmbio pode funcionar como proteção.
As opções são contratos de derivativos negociados na B3. Eles permitem apostar na alta ou na queda da moeda por meio de um preço previamente definido. O custo desse tipo de operação é influenciado pela volatilidade do câmbio, que está baixa enquanto a cotação oscila pouco.
Orefice afirmou que a carteira da gestora aposta na queda dos juros e na melhora da Bolsa, mas mantém proteção por meio de opções de compra de dólar caso esse cenário não se confirme.
No Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual, Rodrigo Carvalho, sócio da BTG Pactual Asset, apresentou avaliação semelhante. Para ele, o real parece equilibrado diante das diferenças de risco entre a Bolsa e a renda fixa. A gestora mantém posições em renda fixa e em alguns setores da Bolsa, além de operações que se beneficiam da desvalorização do real e de posições compradas em dólar como proteção.



