O Ministério da Fazenda reduziu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% para 2026. A estimativa, que era de 2,3%, passou a 2%. Para 2027, a projeção caiu de 2,5% para 2,3%. Os números estão no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado nesta terça-feira (22).
A secretaria relaciona a revisão aos juros em nível restritivo, com impacto maior sobre os setores de serviços e indústria. O governo também passou a considerar que a flexibilização monetária ocorrerá em ritmo “marginalmente mais gradual do que o previsto” anteriormente.
Inflação e atividade econômica
A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 foi reduzida de 5,1% para 4,9%. Mesmo com a revisão, o índice projetado permanece acima do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%.
A meta contínua é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. A SPE informou que a nova estimativa considera os resultados do IPCA até julho, que ficaram parcialmente abaixo do esperado, principalmente nos preços dos alimentos consumidos nos domicílios e, em menor medida, nos serviços.
Também foram consideradas a melhora das expectativas de inflação e a permanência da Taxa Selic em nível contracionista. Para a Fazenda, a política monetária deve contribuir para uma desaceleração da atividade econômica no segundo semestre de 2026.
As projeções setoriais para 2026 foram alteradas de forma desigual. A estimativa para serviços caiu de 2,4% para 1,8%, enquanto a da indústria passou de 2,1% para 1,7%. Para a agropecuária, houve alta de 1,8% para 2,8%. O avanço esperado no campo compensou apenas parte da redução prevista para os outros dois setores.
A Fazenda também apontou o endividamento das famílias como limitador do consumo. Embora a dívida permaneça estável em relação à renda, o comprometimento com pagamentos atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre, conforme o boletim.
Projeções para 2027
Para 2027, além da redução na previsão do PIB, a Fazenda elevou a estimativa para o IPCA de 3,6% para 3,8%. A mudança considera possíveis efeitos de um El Niño mais intenso sobre a produção agrícola, com impacto inicial nos grãos e posterior pressão sobre outros alimentos, incluindo carnes.
A SPE prevê que eventuais cortes da Selic tenham efeitos graduais sobre o crédito, o consumo e os investimentos. A redução dos juros tende a favorecer setores mais sensíveis ao ciclo econômico, além de estimular o investimento conforme diminua o custo de capital.
O boletim lista ainda riscos relacionados ao preço do petróleo, às condições de crédito para famílias e empresas, à demanda doméstica, às exportações e ao desempenho da indústria extrativa. Conflitos internacionais podem aumentar a oscilação dos preços de energia e afetar outras cadeias produtivas.
O Boletim Macrofiscal reúne as projeções usadas pelo governo na elaboração e na atualização do Orçamento da União. Os dados também servirão de base para o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para ser divulgado na próxima quinta-feira (24) pelos Ministérios da Fazenda e do Planejamento.



