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Economia

Fim das bets ameaça receitas dos clubes e pressiona por mudanças na gestão

Proibição imediata das apostas online pode retirar quase 10% do faturamento recorrente dos clubes, além de afetar patrocínios e transmissões.

Fim das bets ameaça receitas dos clubes e pressiona por mudanças na gestão

A proibição das bets deve retirar uma parcela relevante das receitas dos clubes de futebol e pressionar as equipes a reduzir custos, buscar novos parceiros e rever a gestão financeira. O montante ligado diretamente às apostas representa quase 10% do faturamento recorrente total dos clubes, segundo o economista Cesar Grafietti, consultor de gestão e finanças do esporte.

A medida provisória assinada pelo presidente na sexta-feira (25) proíbe a operação das empresas de apostas no Brasil. O texto também impede novos aportes de apostadores e determina que sites e aplicativos deixem de funcionar no país a partir de 6 de outubro.

Impacto nas receitas e nos contratos

A perda para os clubes tende a ser maior do que o valor dos patrocínios, porque as bets também financiam anúncios em estádios e cotas de transmissão dos jogos. Grafietti afirmou que as equipes terão de buscar alternativas no curto prazo, em um momento de maior fragilidade nas negociações comerciais.

“Começa a ter uma reação em cadeia”, disse o economista. Na avaliação dele, o cenário pode levar à venda de jogadores, à renovação de contratos por salários menores e à redução dos valores pagos em contratações. Grafietti espera uma recuperação financeira no médio prazo, com redução de custos e recomposição parcial das receitas por meio de parcerias com outras empresas.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, afirmou que o impacto sobre as receitas do clube pode chegar a R$400 milhões em 2027, considerando efeitos diretos e indiretos. O clube acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para reforçar uma contestação contra a medida e alegou que teria prejuízo certo, imediato, quantificado e irreversível.

Reação ao governo

Uma reunião convocada pelo governo para ouvir representantes dos clubes na terça-feira (29) foi adiada, sem nova data. Uma fonte de um dos ministérios envolvidos informou que medidas de apoio, como uma possível linha de crédito subsidiada, só serão analisadas depois do diálogo com as equipes.

A proibição tem validade imediata por ser uma medida provisória, mas ainda precisa ser validada pelo Congresso Nacional. Clubes e empresas de apostas prometem atuar para derrubar ou alterar a norma. Companhias do setor também recorreram ao STF, alegando que não havia urgência para a edição da medida.

Federações estaduais de futebol, entre elas as de São Paulo e do Rio de Janeiro, manifestaram preocupação com a decisão e afirmaram que a restrição poderia levar clubes à insolvência. Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), disse que a mudança ocorreu sem prazo de adaptação e interrompeu as conversas entre empresas e governo sobre a regulamentação.

Além dos patrocínios, recursos arrecadados com a tributação das bets são destinados obrigatoriamente a áreas específicas, incluindo o Ministério do Esporte e comitês esportivos. Segundo o Escritório Nacional de Rateio, cerca de R$174 milhões foram previstos para o futebol entre janeiro e julho deste ano.

A pesquisa Quaest divulgada nesta semana apontou que 62% dos brasileiros apoiam a restrição das apostas online. Outros 32% são contrários e 6% não souberam ou não responderam.

Com a possibilidade de manutenção da proibição, os clubes deverão procurar novos patrocinadores. João Adibe Marques, CEO da farmacêutica Cimed, afirmou que a mudança pode abrir espaço para empresas que desejam patrocinar equipes de futebol.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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