A maioria dos fundos brasileiros de renda fixa teve desempenho inferior aos índices de referência em um período de 10 anos encerrado em junho de 2026. Os dados fazem parte do estudo SPIVA da América Latina, divulgado pela S&P Global na quinta-feira (10).
O levantamento compara, desde 2002, fundos de gestão ativa com índices correspondentes às categorias de investimento. Entre os fundos de títulos corporativos brasileiros, 93,6% ficaram abaixo do Índice de Debêntures ANBIMA, conhecido como IDA. No grupo de títulos públicos, 93,4% tiveram desempenho inferior ao Índice de Mercado ANBIMA, o IMA.
O resultado foi diferente no primeiro semestre de 2026. Nesse período, apenas 24,5% dos fundos de títulos corporativos apresentaram desempenho inferior ao IDA. Entre os fundos de títulos públicos, 37,6% ficaram abaixo do IMA.
Os dois índices de referência tiveram alta nos seis primeiros meses de 2026. O IDA subiu 4,4%, enquanto o IMA avançou 5,8%. Os indicadores são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Fundos de ações
No mercado acionário, o desempenho variou entre as categorias no primeiro semestre. O S&P Brazil LargeCap, que reúne empresas de grande capitalização, subiu 3,0%. O S&P Brazil BMI, com companhias de grande, médio e pequeno porte, avançou 1,6%. Já o S&P Brazil MidSmallCap, formado por empresas de médio e pequeno porte, recuou 1,5%.
No acumulado do ano até junho, 31,2% dos fundos de ações de grande capitalização ficaram abaixo do índice correspondente. O percentual foi de 44,5% entre os fundos de empresas de média e pequena capitalização e de 46,3% entre os fundos de ações brasileiras em geral.
Em 10 anos, 67,4% dos fundos de ações de grande capitalização perderam para o S&P Brazil LargeCap. Na categoria de ações brasileiras em geral, 89,15% ficaram abaixo do S&P Brazil BMI. Entre os fundos de média e pequena capitalização, 81,7% tiveram desempenho inferior ao S&P Brazil MidSmallCap.
O estudo relaciona a maior dispersão entre os retornos das ações à criação de oportunidades e à ampliação dos riscos no mercado acionário brasileiro. A diferença pode favorecer quem escolhe papéis com desempenho superior, mas também aumentar as perdas de quem seleciona ações com resultado inferior.



