O mercado pode chegar à eleição sem refletir mudanças de última hora no comportamento dos eleitores, na avaliação de Mauricio Moura, sócio do fundo Zaftra. Para ele, a transferência de votos para candidatos vistos como mais competitivos, junto do aumento de abstenções, votos brancos e nulos, pode ampliar a diferença entre as pesquisas finais e o resultado das urnas.
Moura afirma que eleitores de outros candidatos podem se concentrar, na reta final, no nome considerado mais forte para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele chama esse movimento de “antipetismo de chegada” e diz que o comportamento já foi observado em eleições anteriores.
Como há apenas um candidato de oposição, esse movimento tende a ser maior neste ano, segundo o gestor. Na avaliação dele, Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), é o nome mais competitivo desse campo e deve ser o principal beneficiado.
Ao mesmo tempo, Moura considera possível uma melhora do PT na última semana. Esse avanço, porém, pode estimular uma reação entre eleitores contrários à continuidade do partido no governo. O gestor avalia que a disputa pode se concentrar na escolha entre manter ou não o governo. “Cerca de 3% vão decidir a eleição nesta reta final”, afirma.
Abstenções e voto espontâneo
A participação dos eleitores também é apontada como uma variável relevante. Moura estima um aumento do chamado não voto, que reúne quem não comparece às urnas e quem escolhe branco ou nulo. No primeiro turno, esses votos e as abstenções ficam fora da conta dos votos válidos, alterando a proporção final de cada candidato.
Segundo o analista, a abstenção é mais comum entre pessoas de baixa renda e muitos analfabetos. Por isso, a composição efetiva do eleitorado pode diferir daquela representada pela amostra total das pesquisas. Ele também destaca que o voto declarado nas sondagens não necessariamente corresponde à decisão registrada na urna.
Outro ponto citado é a pesquisa espontânea, na qual o eleitor precisa mencionar o candidato sem receber uma lista de nomes. “Está dando mais de 20% de indecisos na espontânea”, diz Moura. Para ele, esse percentual indica espaço para mudanças de posição e pode contribuir para o crescimento do não voto.
Se essa parcela atingir 32%, afirma o gestor, o efeito sobre a composição dos votos válidos será forte. A rejeição aos candidatos também é apontada por ele como um fator capaz de influenciar o resultado final.



