O Brasil se tornou o segundo maior mercado global da Shein, de acordo com uma estimativa do BTG Pactual. O banco projeta que as vendas da empresa no país cheguem a US$ 3,5 bilhões em 2025. A Shein não divulga resultados separados por país, mas indicou no balanço do primeiro semestre que a América Latina, com o Brasil no centro, sustentou o desempenho da companhia.
O avanço brasileiro ocorreu enquanto a empresa perdeu receita em mercados maduros. No segundo trimestre, as vendas na Europa recuaram 13,9% em relação ao último ano, para US$ 3,77 bilhões. Nos Estados Unidos, a queda foi de 6%, para US$ 2,5 bilhões. A Europa representou cerca de 34% da receita trimestral, e os EUA, outros 23%.
Receita global cresce, mas lucro ajustado recua
A receita global da Shein chegou a US$ 11,08 bilhões no segundo trimestre do ano, alta de 0,9% ante o último ano. O lucro líquido ajustado, porém, caiu 67%, para US$ 228 milhões. Com isso, a margem líquida ajustada passou de 6,2% para 2,1%.
O lucro líquido reportado foi de US$ 2,4 bilhões. O BTG Pactual avaliou que esse resultado foi influenciado principalmente por mudanças na valuation de ações preferenciais conversíveis, o que reduz sua representatividade como medida da rentabilidade da operação.
O banco atribuiu a piora do lucro ao aumento dos custos logísticos, especialmente do frete aéreo. A alta do preço do combustível de aviação e das tarifas de frete ocorreu em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio. Os custos de fulfillment subiram 18,1% ante o último ano, acima do crescimento da receita, pressionando as margens.
Mudanças regulatórias favorecem o Brasil
Para o BTG Pactual, alterações regulatórias e tributárias ajudam a explicar a diferença entre as regiões. Nos EUA, a eliminação da isenção de taxas para remessas de pequeno valor elevou os preços. Na Europa, novas cobranças passaram a incidir sobre encomendas importadas de baixo valor.
No Brasil, a retirada do imposto federal de importação de 20% para compras de até US$ 50 melhorou as condições das compras internacionais, segundo o relatório. O banco também apontou que o plano inicial de manufatura no país enfrentou dificuldades, enquanto o marketplace ganhou escala rapidamente.
Na avaliação do BTG Pactual, o principal movimento do trimestre foi a mudança na distribuição geográfica das vendas: a América Latina ganhou peso à medida que Europa e EUA desaceleraram. Ao mesmo tempo, a queda do lucro ajustado mantém em discussão a rentabilidade da empresa diante do aumento dos custos logísticos, das tarifas e das exigências de localização.



