A falta de clareza nas regulamentações e a dificuldade de planejar mudanças ainda em consolidação estão entre os principais obstáculos enfrentados pelas indústrias mineiras na transição para a reforma tributária. Os dados são de uma sondagem da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), feita com 125 empresas dos setores extrativo e de transformação entre 1º e 12 de junho de 2026.
A reforma tributária teve o texto aprovado em 2023, e a implantação começou em 1º de janeiro. A transição completa para o novo regime fiscal brasileiro poderá ser feita pelas empresas até 2033. A proposta é simplificar o sistema e reduzir a carga tributária nacional, mas o processo ainda provoca dúvidas e preocupações no setor industrial.
Segundo a pesquisa, 93,6% das empresas já iniciaram algum tipo de adaptação. Desse grupo, 14,9% concluíram as adequações, enquanto 50,5% estão em estágio avançado e têm prazo definido para terminar as mudanças. Outras 28,2% ainda estão no estágio inicial.
As principais alterações ocorrem nos processos tributários, contábeis e fiscais, citados por 70,2% das empresas. Também aparecem a formação de preços, com 59,6%, e os sistemas de gestão e planejamento de recursos empresariais, conhecidos como ERP, mencionados por 49,4%.
Conhecimento e obstáculos
O levantamento indica que o domínio das novas regras ainda está em consolidação. Para 46% das empresas, o conhecimento sobre a reforma é moderado. Já 29,7% consideram esse nível elevado ou muito elevado.
A falta de clareza nas regulamentações foi apontada por 41,9% das indústrias. A dificuldade de planejamento diante de mudanças ainda em consolidação foi citada por 31,5%.
Para Arthur Augusto Dias, analista de pesquisas econômicas da Fiemg, informações conflitantes geram dúvidas em empresas de diferentes portes e naturezas fiscais. Ele afirmou que empresas maiores conseguem reunir equipes dedicadas para interpretar as leis, enquanto negócios médios e pequenos muitas vezes dependem de contadores terceirizados.
“a principal dificuldade é entender o que tem que fazer”, afirmou Dias. O analista também disse que muitos casos específicos ainda precisarão de explicações do governo, porque a lei complementar, com cerca de 300 páginas, não consegue prever todas as situações existentes no sistema tributário brasileiro.



