MINAS GERAIS — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e era esperada pelo mercado financeiro. A redução gerou avaliações diferentes entre representantes da indústria e do comércio de Minas Gerais.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) considerou o corte necessário, mas insuficiente para diminuir os efeitos dos juros elevados sobre a economia brasileira. A entidade afirmou que a taxa ainda encarece o crédito, adia investimentos e limita a expansão da indústria, com impactos sobre produção, emprego e competitividade.
“A taxa permanece em nível restritivo, encarece o crédito, adia investimentos e limita a capacidade de expansão da indústria”, disse a Fiemg em nota.
A federação também defendeu maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária. Segundo a entidade, o desequilíbrio das contas públicas e estímulos fiscais ou de crédito que aumentem a demanda reduzem a eficácia da política monetária e tornam mais caro o combate à inflação. O economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, afirmou que não é sustentável concentrar nos juros quase todo o esforço de controle dos preços enquanto medidas expansionistas atuam em sentido contrário.
Comércio vê melhora nas condições para o varejo
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) avaliou o corte de forma mais positiva. Para a entidade, a redução da Selic favorece o comércio e os serviços e pode ajudar a manter a confiança dos consumidores antes de datas importantes para o varejo, como o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal.
O presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, afirmou que a trajetória de queda dos juros pode contribuir para um ambiente mais previsível e apoiar o planejamento de investimentos e contratações pelas empresas. Ele também espera que o corte represente mais uma etapa de ajuste gradual e responsável da política monetária.
No comunicado sobre a decisão, o Copom informou que o cenário externo continua incerto devido à indefinição sobre conflitos armados no Oriente Médio e à política monetária de algumas economias avançadas. O comitê citou ainda a volatilidade dos preços de ativos e commodities.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em agosto, o índice ficou negativo em 0,32%, menor nível em quatro anos. No acumulado de 12 meses, recuou para 4,22%, ante 4,44% em julho.



