O Lombard Odier passou a recomendar uma exposição acima da média a ações globais e avalia que os ativos de risco ainda podem avançar nos meses finais de 2026. Para o banco suíço, a combinação entre investimentos robustos e crescimento econômico cria espaço para ganhos em mercados desenvolvidos e emergentes.
A instituição, fundada há 230 anos, afirma que os ativos de risco tiveram forte desempenho no primeiro semestre mesmo diante de incertezas como o conflito no Oriente Médio, a alta do petróleo, a política tarifária dos Estados Unidos e as dúvidas sobre os investimentos de empresas ligadas à inteligência artificial.
Tecnologia e expansão dos lucros
O banco considera que o desempenho das empresas de tecnologia será decisivo para evitar uma venda generalizada de ações relacionadas à inteligência artificial. A avaliação é que a troca de posições entre os papéis vencedores e perdedores da tese pode ocorrer sem interromper a alta do mercado, desde que não se transforme em uma liquidação ampla do setor.
As empresas americanas de tecnologia da informação de grande capitalização tiveram crescimento de quase 70% nos lucros no segundo trimestre, conforme o Lombard Odier. O banco também aponta que companhias de software passaram a gerar lucros com a adoção mais ampla da IA e que a receita de negócios de nuvem acelerou.
A instituição vê oportunidades em diferentes segmentos da cadeia de inteligência artificial, incluindo grandes provedoras americanas de nuvem e data centers, como Microsoft, Google e Meta. Também prefere teses de tecnologia em mercados emergentes, especialmente na Ásia, onde empresas do setor se beneficiam do avanço do software e apresentam avaliações mais baixas que as de companhias de mercados desenvolvidos, apesar de perspectivas semelhantes para os lucros.
Preferência por outros setores
Embora reconheça o papel da tecnologia, o Lombard Odier está neutro no setor. A leitura é que, depois de um período de concentração dos ganhos, a valorização pode se espalhar para outras áreas.
O banco mantém preferência por empresas dos setores financeiro, de materiais, de serviços públicos, como energia e saneamento, e de saúde. Entre os fatores de apoio citados estão a aceleração do crescimento dos lucros, a expansão dos investimentos de capital, a eletrificação e o aumento da longevidade.
Juros e política nos Estados Unidos
A trajetória dos juros americanos e as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos estão entre os riscos monitorados pelo banco. O Lombard Odier afirma, porém, que esses fatores não devem mudar sua visão positiva para as ações.
Após as oscilações recentes, os preços dos papéis de mercados desenvolvidos estão mais atrativos do que no início do ano, segundo a instituição. O banco também avalia que um ambiente de crescimento sem inflação abriria espaço para novas altas.
“Os investimentos de capital estão se expandindo globalmente, o crescimento continua sólido e as perspectivas para os lucros corporativos estão se fortalecendo”, afirma o Lombard Odier. Para a instituição, uma eventual alta de juros do Federal Reserve não deve eliminar as condições financeiras favoráveis, enquanto as eleições podem elevar a volatilidade sem necessariamente impedir a valorização das ações americanas no ano seguinte.



