RIO DE JANEIRO — O manuscrito da letra e a partitura original do Hino Nacional Brasileiro são preservados em instituições do Rio de Janeiro com medidas voltadas à conservação do papel e da tinta. O acesso aos documentos é restrito, e o manuseio é feito com luvas.
Na Academia Brasileira de Letras (ABL), o manuscrito da letra está em uma sala projetada para a guarda de acervos. O espaço tem acompanhamento contínuo de temperatura e umidade e sistema de prevenção contra incêndios. A documentação é acondicionada em papel de pH neutro, usado para reduzir os riscos de deterioração.
O registro traz a data de 3 de agosto de 1922. Pouco mais de 1 mês depois, a composição foi oficializada como canção nacional por meio do decreto de 6 de setembro daquele ano, na véspera do centenário da Independência do Brasil.
Maria Ribeiro, chefe do Arquivo Múcio Leão, da ABL, explicou que o manuscrito também recebeu tratamento para conter os danos causados pela tinta ferrogálica, que tem ferro em sua composição e pode corroer o papel. “A documentação recebe um tratamento específico”, afirmou.
A arquivista e restauradora Renata Albino disse que os documentos e livros recebidos pela academia passam primeiro por higienização. Depois, são encaminhados aos acervos e retornam ao núcleo de conservação quando precisam de procedimentos adicionais. Nem todos necessitam de restauração: em muitos casos, é feita apenas a conservação preventiva.
A partitura e a história do hino
A partitura original da melodia está sob os cuidados da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também são adotados o uso de luvas e o cuidado no manuseio.
A música foi composta em 1831 por Francisco Manuel da Silva, com o nome de Hino ao 7 de Abril, em referência à abdicação de Dom Pedro I. A primeira letra foi escrita pelo poeta Ovídio Saraiva. Em 1841, durante a coroação de Dom Pedro II, a melodia recebeu outra versão textual, de autoria desconhecida.
A letra definitiva, de Osório Duque-Estrada, foi oficializada em 1922, durante as comemorações do Centenário da Independência. A melodia foi padronizada por Alberto Nepomuceno.
Os autores da música e da letra não chegaram a se conhecer. Francisco Manuel da Silva morreu 5 anos antes do nascimento de Osório Duque-Estrada, que nasceu em Vassouras, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Poeta, crítico, professor, ensaísta e teatrólogo, Duque-Estrada entrou para a Academia Brasileira de Letras em 1915 e foi o 2º ocupante da cadeira 17, hoje pertencente à atriz Fernanda Montenegro.
O professor e maestro André Cardoso, da UFRJ, destacou a importância histórica dos originais. Para ele, os documentos registram momentos da formação do país e ajudam a preservar a memória relacionada ao hino, que continua sendo cantado em jogos da seleção brasileira e em manifestações políticas.



