CONGONHAS — O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça a contratação de uma auditoria técnica independente para acompanhar a segurança operacional e os impactos ambientais na Mina de Viga, em Congonhas, Minas Gerais. A estrutura registrou extravasamento de água e sedimentos em janeiro de 2026.
A ação civil pública foi apresentada contra a Vale, a Agência Nacional de Mineração (ANM) e o governo de Minas Gerais no dia 9. O MPF afirma que a auditoria deverá ser paga pela mineradora e não poderá ter conflito de interesses. O trabalho deve avaliar a segurança das medidas adotadas e a adaptação das instalações a chuvas intensas.
Segundo o procurador da República Eduardo Henrique de Almeida Aguiar, responsável pela ação, o episódio levou sedimentos para cursos de água e exige acompanhamento técnico independente.
Interdição e pedidos
Após o incidente, a ANM vistoriou a mina e determinou a interdição total do local. A agência apontou comprometimento da infraestrutura e falta de comprovação da segurança operacional, conforme nota do MPF.
O Ministério Público Federal também solicitou o bloqueio de R$ 200 milhões da Vale, como garantia para a reparação dos danos, além da suspensão da transferência de direitos minerários.
Antes de recorrer à Justiça, o MPF informou ter realizado reuniões com a Vale, o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) e órgãos ambientais. A tentativa de acordo não avançou porque a mineradora não assinou o documento.
A Vale declarou que ainda não tinha conhecimento da ação. A empresa afirmou que, apesar do acordo assinado com o MP-MG e o Estado de Minas Gerais, em agosto, continua negociando com o MPF uma composição extrajudicial. Também disse que adota medidas para recuperar a área em alinhamento com os órgãos competentes.
A ANM informou que acompanha o caso e analisa o pedido de desinterdição, com fiscalizações presenciais, avaliação de documentos técnicos e verificação do cumprimento das exigências feitas pela agência. O governo de Minas Gerais não respondeu até o fechamento da nota.




