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Operação mira Banco Genial e suspeitos de ocultar compra da Terrana

Buscas atingem 32 endereços em seis estados e no Distrito Federal por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao setor de combustíveis.

Operação mira Banco Genial e suspeitos de ocultar compra da Terrana

Promotores, policiais e auditores fiscais realizam buscas em 32 endereços de onze cidades, distribuídos por seis estados e pelo Distrito Federal, na Operação Crédito Oculto. A ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro relacionado à máfia dos combustíveis, que teria ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A operação tem 40 alvos, entre eles Humberto Tupinambá, sócio-proprietário do Banco Genial; Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e delator do Banco Master; e o Grupo Entre. A empresa teria sido usada por Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O pedido de busca partiu do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. A autorização foi dada por Sandro Nogueira de Barros Leite, juiz da 2ª Vara Criminal de Catanduva. As diligências ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e no Distrito Federal.

Investigação sobre a Terrana

A apuração usa contratos, documentos, mensagens e áudios recolhidos na primeira fase da Operação Carbono Oculto. O material apontaria para a tentativa de ocultar o patrimônio de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, na compra da distribuidora de combustíveis Terrana.

A empresa, do Rio de Janeiro, chegou a estar entre as dez maiores distribuidoras do país. Conforme as investigações, a aquisição pode ter custado até R$ 153 milhões. Beto Louco e Primo estão foragidos desde 28 de agosto de 2025, quando tiveram a prisão decretada no Paraná durante a primeira fase da Carbono Oculto.

Os investigadores afirmam que a dupla teria recorrido a fundos de investimento para esconder a propriedade de imóveis de valores multimilionários. A Reag Investimentos, que administrava fundos suspeitos, foi liquidada pelo Banco Central depois de ser alvo da Polícia Federal. João Carlos Mansur, dono da empresa, fechou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no começo do mês.

O Gaeco descreve uma estrutura com nove fundos de investimento e 27 empresas. Bens de 16 delas foram tornados indisponíveis por decisão da Justiça. A Terrana teve as atividades suspensas pela Justiça do Rio de Janeiro em 9 de julho. A empresa é o nome fantasia da Tobrás Distribuidora de Combustíveis, que atua nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Na época da aquisição, em 2024, a distribuidora registrava faturamento mensal de R$ 445 milhões e capital social de R$ 245 milhões. Beto Louco e Primo já eram investigados na Operação Cassiopéia, que apurou fraudes em combustíveis praticadas pela Copape. A autorização de funcionamento da empresa foi revogada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Participação de empresas e fundos

Segundo os investigadores, Humberto Tupinambá e Rogério Garcia Peres, sócio-fundador da administradora de fundos Altinvest, teriam montado a estrutura usada para ocultar os compradores da Terrana. Paulo Narcélio Simões do Amaral, executivo do mercado, teria emprestado o nome a duas empresas envolvidas na aquisição e na ocultação de imóveis.

O Banco Genial teria participado da operação por meio de instrumentos financeiros usados para esconder a origem dos recursos. Mensagens encontradas no celular de Narcélio indicariam que ele receberia 0,75% do valor do negócio e R$ 100 mil mensais durante os três meses em que permaneceria à frente das holdings Branson e Berna.

As investigações apontam três estruturas empresariais. Uma delas envolvia o Fundo Celebration, administrado pela Reag, cujo único cotista era a Insight Participações, registrada em nome de Himad Mourad, primo de Mohamad. Outra usava o Radford Fundo de Investimentos Multimercado, inicialmente administrado pela Altinvest e depois transferido ao Banco Genial, que manteve a custódia enquanto a Altinvest permaneceu como cogestora.

O Radford tinha como cotista a Usina Itajobi, uma das cinco usinas controladas pelos empresários. Por meio de empresas intermediárias, o Grupo Aster teria enviado R$ 100 milhões à usina. A Entre Investimentos, de Freixo, teria repassado mais R$ 20 milhões.

Depois, o dinheiro teria sido emprestado pela Usina Itajobi ao Banco Genial por meio de um Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV). O banco repassaria os recursos às empresas Branson e Berna por meio de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB), para financiar a compra da Terrana. Os pagamentos previstos seriam de R$ 18,7 milhões a cada semestre, até alcançar R$ 150 milhões.

O Banco Genial informou ao Gaeco que as cotas do Radford somavam cerca de R$ 169,7 milhões quando a Operação Carbono Oculto foi deflagrada. Também afirmou que aprovou o empréstimo considerando a reputação de Narcélio no mercado. Os promotores, porém, apontam que Branson e Berna haviam sido criadas um mês antes, com capital social de apenas R$ 1 mil, e funcionavam no mesmo endereço ligado ao grupo de Mohamad Mourad, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

Mensagens atribuídas aos investigados indicariam a participação de Humberto Tupinambá e de seus irmãos, André e Bruno, na montagem da estrutura. Os dois também foram alvos de buscas. Em uma conversa, Narcélio menciona que a proposta pela Terrana era de R$ 93 milhões, mas poderia chegar a R$ 153 milhões. Em outra, afirma que seria necessário consultar Primo sobre a condução da compra.

O Gaeco também afirma que o Banco Genial teria ultrapassado a função de realizar a operação financeira. As defesas dos investigados não foram localizadas ou não responderam. O espaço permanece aberto para manifestações.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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