A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) reajustou os coeficientes dos pisos mínimos do frete rodoviário. Para definir os novos valores, a agência passou a considerar o litro do óleo diesel S10 a R$ 7,33, média nacional registrada entre 20 e 26 de setembro de 2026 pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O cálculo anterior usava o preço de R$ 6,97. A atualização busca evitar que o valor mínimo fique abaixo dos custos considerados na operação. Na prática, os transportadores precisam consultar a tabela atualizada antes de fechar contratos de viagem. O piso também pode impedir pagamentos inferiores ao valor definido por quilômetro rodado.
Fiscalização e negociação
Ao longo de 2026, a ANTT ampliou a fiscalização com apoio do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), usado para verificar o cumprimento das regras de contratação. A agência informou que poderá suspender empresas que descumprirem repetidamente o piso, após análise individual de cada caso.
A tabela, porém, não inclui todos os gastos envolvidos no transporte. Conforme a ANTT, determinadas taxas, despesas administrativas e a margem de lucro devem ser negociadas entre as partes. Por isso, representantes do setor afirmam que o reajuste ajuda, mas não recompõe integralmente os custos de uma viagem.
Antonio Luis da Silva Junior, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), disse que a revisão acompanha os parâmetros previstos, mas não considera todos os aumentos enfrentados pelos transportadores nem as oscilações do diesel nos postos. “Isso apenas minimiza o efeito do aumento de diesel, mas não resolve os problemas dos custos”, afirmou.
Outros componentes do custo
Além do combustível, entram na conta a manutenção dos veículos, os seguros, os licenciamentos e os impostos. O setor também relaciona o consumo de diesel a despesas com pneus e manutenção. Antonio Luis da Silva Junior afirmou que a adição de biodiesel tem elevado a necessidade de manutenção e a troca de filtros de combustível.
A preocupação dos transportadores é que um piso calculado principalmente a partir do preço do diesel não reflita o conjunto de despesas da atividade. “Não contempla tudo, mas são parâmetros que estão sendo revistos”, completou o presidente do Setcemg.



