BELO HORIZONTE — Professores de escolas particulares de Belo Horizonte e da Região Metropolitana decidiram suspender a greve e retomar as atividades a partir desta quarta-feira (23). A decisão foi aprovada em assembleia realizada nesta terça-feira (22), com a participação de mais de 700 docentes, informou o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG).
A paralisação havia começado na última quarta-feira (16). Mesmo sem acordo com o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG), os professores avaliaram que o movimento foi vitorioso porque as reivindicações serão analisadas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Na assembleia, a categoria recusou uma proposta apresentada pelo sindicato patronal na última audiência do TRT. Conforme o Sinpro-MG, o texto prevê mudanças em duas cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT): o fim da isonomia salarial e alterações na indenização por redução de carga horária. Os professores consideram que as medidas representariam retrocessos e afirmam que elas já haviam sido rejeitadas em assembleias anteriores.
Convenção coletiva e próximas mobilizações
Os docentes também rejeitaram novamente a divisão da CCT em dois documentos: um voltado à educação básica e outro ao ensino superior. Para a categoria, a separação reduziria a capacidade de negociação coletiva e poderia abrir espaço para mudanças em conquistas como as bolsas de estudos e a isonomia salarial.
Os professores defendem a renovação da convenção atual sem alterações, com reajuste salarial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 3,77%. A assembleia ainda aprovou a manutenção do estado de greve e uma nova paralisação no mesmo dia do julgamento no TRT, previsto para o início de novembro.
A presidente do Sinpro-MG, Valéria Morato, afirmou que o impasse nas negociações e outras reivindicações serão julgados pelo tribunal. “Então foi um movimento extremamente vitorioso, e os professores estão de parabéns”, disse.
Segundo o sindicato, a greve também ampliou o debate sobre as condições de trabalho nas escolas particulares. Morato afirmou que a categoria se manteve aberta ao diálogo, mas avaliou que o sindicato patronal não demonstrou disposição para negociar.
O Sinepe-MG informou, por meio do advogado Mauro Grimaldo, que ainda não havia recebido oficialmente a comunicação sobre a suspensão da greve. O advogado disse que a decisão é a mais sensata e afirmou que a entidade permanece aberta ao diálogo e à negociação com o Sinpro. De acordo com Grimaldo, a decisão do desembargador não suspendeu a greve nem analisou o mérito sobre sua legalidade.



