O comércio de Minas Gerais passou a combinar o calendário das estações com as temperaturas registradas, o ritmo das vendas e o volume de produtos armazenados. A primavera ainda orienta a troca de vitrines e o lançamento de coleções, mas deixou de ser o único critério para definir compras e liquidações.
A avaliação é da economista Gabriela Martins, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), com base em uma pesquisa sobre a expectativa de vendas para o inverno de 2026. Para 92,1% dos estabelecimentos consultados, a chegada do inverno influencia positivamente o comércio.
O levantamento foi realizado entre 4 e 12 de maio de 2026, com 407 empresas dos setores de vestuário e acessórios, calçados e artigos de viagem, além de tecidos, cama, mesa e banho. Setembro continua relacionado ao lançamento de produtos de primavera, principalmente nesses segmentos, mas a mudança efetiva depende cada vez mais das condições do tempo.
Temperatura interfere na demanda
A pesquisa indica que 59,3% dos empresários esperavam vender mais no inverno de 2026 do que no ano anterior. Outros 32% projetavam estabilidade, enquanto 8,2% previam desempenho pior. Entre os que esperavam resultados inferiores, 25% citaram a falta de frio e 18,8% mencionaram o clima ou o tempo. A crise econômica foi apontada por 40,6% como principal justificativa.
Para Gabriela, uma queda repentina de temperatura pode concentrar a procura por casacos, calçados fechados, roupas de cama e alimentos mais quentes. Já o calor fora de época pode diminuir a saída desses itens, mesmo durante o inverno. A alternância entre períodos frios curtos e mudanças bruscas também pode dificultar a decisão sobre o volume de produtos a comprar.
Lojas monitoram estoque
Quando foram entrevistadas, 79,8% das lojas já tinham recebido todas as encomendas. Outras 17,9% ainda não estavam preparadas e 0,8% não haviam feito os pedidos. Na comparação com o ano anterior, 59,3% disseram ter comprado a mesma quantidade de unidades; 25,6% aumentaram os pedidos e 14,3% reduziram.
A adaptação pode incluir mais peças de meia-estação, sobreposições e produtos adequados a diferentes temperaturas. A pesquisa, porém, não mediu especificamente alterações na composição das coleções.
Liquidações dependem do giro
Entre as empresas pesquisadas, 34% não planejavam fazer liquidações. Entre as que adotariam a estratégia, 19,4% apontaram o fim de agosto, 17,1% o início de setembro e 15,9% o começo de agosto.
O encerramento do inverno continua abrindo uma janela tradicional para descontos, mas o estoque restante e a velocidade das vendas podem antecipar, reduzir ou até eliminar a necessidade de liquidar produtos. A chegada da nova estação também pressiona pela liberação de espaço e de capital para a próxima coleção.
Respostas como depender da demanda ou da quantidade de estoque restante mostram que parte dos empresários não define a estratégia apenas por uma data fixa.



