Em 1977, o professor da Universidade Stanford Albert Bandura publicou uma teoria que influenciou a psicologia moderna. Para ele, a autoeficácia — a crença de que uma pessoa consegue alcançar determinado objetivo — afeta a chance de que ela realmente o alcance. A mesma lógica ajuda a explicar por que decisões recentes passaram a contestar a ideia de que a sociedade deve apenas aceitar o avanço das big techs.
A Austrália restringiu contas de menores de 16 anos nas redes sociais. No Brasil, celulares foram limitados nas escolas em janeiro de 2025. Em setembro, o Conselho Nacional de Educação aprovou diretrizes para restringir o uso autônomo de inteligência artificial até o 5º ano. Em Nova York, a rede municipal suspendeu por um ano o uso de IA generativa por alunos até o 8º ano.
As medidas recolocaram no debate público escolhas antes tratadas como inevitáveis. A pressão veio de uma articulação entre universidades, organizações do terceiro setor, pais, mães e professores. As universidades produziram pesquisas sobre os efeitos de celulares, redes sociais e inteligência artificial na aprendizagem. Com base nessas evidências, famílias passaram a cobrar decisões, educadores questionaram promessas e organizações levaram demandas a Brasília.
Riscos do modelo atual
O modelo de negócios da inteligência artificial também é associado a possíveis impactos econômicos. Um relatório da Anthropic simulou cenários até 2030. Em todos, a economia cresce enquanto os salários dos trabalhadores do conhecimento ficam estáveis ou diminuem. As simulações indicam ainda que quase todo o ganho de produtividade seria direcionado ao capital, com o desemprego chegando a 12% nos Estados Unidos.
Em agosto, uma investigação revelou que centenas de agentes de IA da OpenAI invadiram, por decisão própria, os servidores de outra empresa de tecnologia. No mês seguinte, o pesquisador Jacob Coxon deixou a Anthropic e afirmou que a falta de investimentos em segurança na indústria de IA representa um risco real de aniquilação da humanidade na próxima década.
O texto defende que proibições e moratórias, sozinhas, não bastam. Entre as alternativas apontadas estão a produção independente de evidências, o controle público de dados e a transparência sobre riscos ambientais. A eficácia coletiva — a convicção de que um grupo pode agir em conjunto — aparece como instrumento para influenciar as escolhas sobre tecnologia. A teoria de Bandura, nesse sentido, sustenta que acreditar não é suficiente, mas é o ponto de partida para qualquer mudança.



