Curitiba, Sábado, 3 de outubro de 2026
Curitiba 11°C 11° / 21° Mega-Sena 3065: 8 · 10 · 30 · 38 · 50 · 53
O que acontece aqui, primeiro
Saúde

Prevenção do câncer do colo do útero deve considerar HPV e outras ISTs

Estudo com aproximadamente 60 mil testes aponta sobreposição entre HPV e agentes associados a infecções sexualmente transmissíveis.

Prevenção do câncer do colo do útero deve considerar HPV e outras ISTs

A prevenção do câncer do colo do útero não deve se concentrar apenas na identificação do HPV, principal causa da doença quando há infecção persistente por determinados tipos do vírus. Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), alterações da microbiota vaginal e o genótipo do HPV também podem fazer parte da avaliação clínica.

Um estudo internacional em andamento analisou aproximadamente 60 mil resultados de testes combinados para HPV e ISTs, coletados ao longo de 42 meses. Entre os casos em que o HPV foi detectado, agentes associados às ISTs apareceram em 82%. Já entre os resultados positivos para ISTs, o HPV estava presente em 46% das amostras. A detecção simultânea dos dois grupos ocorreu em 71% dos casos positivos avaliados pelos testes combinados.

Os dados não indicam que toda pessoa com HPV tenha uma IST ou que uma infecção provoque necessariamente a outra. Eles apontam uma sobreposição que ainda precisa ser mais investigada. Como corrimento, dor, coceira, ardência ao urinar e desconforto durante a relação sexual podem estar ligados a diferentes microrganismos, a avaliação baseada apenas nos sintomas pode não ser suficiente.

Importância do genótipo e do acompanhamento

A identificação do tipo de HPV também pode contribuir para o acompanhamento. Os genótipos de alto risco HPV-16 e HPV-18 estão particularmente associados à progressão para lesões precursoras e câncer.

Dados apresentados por Marco Zonta, especialista em Citopatologia e Oncologia Molecular, ajudam a mostrar a diferença entre a presença do vírus e as alterações celulares. Uma pesquisa realizada em diferentes regiões do Brasil analisou 4.173 amostras cervicais de mulheres entre 20 e 69 anos. O teste molecular encontrou HPV de alto risco em 14,34% das participantes, enquanto a citologia apontou alterações celulares em 5,25%.

Os métodos têm objetivos distintos: a pesquisa molecular identifica a presença do vírus, e a citologia verifica se já existem alterações nas células associadas à ação dele. Por isso, os resultados não representam uma comparação de desempenho entre os exames. Entre as mulheres com HPV de alto risco, algumas já apresentavam alterações detectáveis, enquanto outras ainda poderiam ser acompanhadas antes do surgimento de lesões.

A avaliação não implica a realização indiscriminada de exames. O diagnóstico deve seguir evidências, indicação clínica e protocolos de rastreamento. A investigação pode ser ampliada diante de uma infecção identificada, sobretudo quando há fatores de risco, sintomas, planejamento de gravidez, histórico de ISTs ou dificuldade de acesso ao acompanhamento médico.

A vacinação, o rastreamento e o tratamento das lesões precursoras integram a prevenção. O tema será discutido no 58º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML), em setembro, em Florianópolis/SC, onde Guilherme Ambar fará uma palestra. Ambar é biólogo e CEO da Seegene Brazil.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.