Apenas 15,2% das escolas particulares e 34,5% das públicas têm sala de recursos multifuncionais, estrutura usada no Atendimento Educacional Especializado no contraturno. O levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também mostra que o banheiro adaptado está presente em 54,8% das escolas públicas e em 64,4% das particulares.
Os dados fazem parte do estudo “Pessoas com Deficiência (PcD) e as Desigualdades Sociais no Brasil”, divulgado nesta sexta-feira (18). A pesquisa também analisou a presença de profissionais de apoio: eles estão em 32,8% das escolas públicas e em 4,6% das particulares.
Frequência escolar
A diferença no acesso à escola aparece principalmente a partir do ensino médio. Entre crianças de 6 a 14 anos com deficiência severa, 95,6% frequentam a escola, ante 98,4% das crianças sem deficiência. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, os índices são de 82,8% e 85,4%, respectivamente.
No grupo com deficiência profunda, a frequência é de 82,3% entre crianças de 6 a 14 anos e de 65,6% entre adolescentes de 15 a 17 anos. Para pessoas sem deficiência, as taxas correspondentes são de 98,4% e 85,4%.
O IBGE ressalta que a inclusão não se resume à matrícula. Também são necessárias adaptações que favoreçam a socialização e a aprendizagem.
Alfabetização e ensino superior
Entre jovens de 15 a 29 anos cuja única limitação relacionada à deficiência é a dificuldade para caminhar e subir degraus, 23,3% não sabem ler e escrever. Entre pessoas da mesma faixa etária sem deficiência, a taxa é de 1%. Quando as dificuldades estão associadas somente a funções intelectuais, o índice chega a 40,4%.
O levantamento não permite identificar individualmente quantas pessoas não foram alfabetizadas por falhas no sistema escolar. Questões cognitivas também podem interferir no aprendizado da leitura e da escrita.
No ensino superior, o número de estudantes com deficiência matriculados na educação a distância quadruplicou entre 2019 e 2024. Considerando cursos presenciais e a distância, as matrículas passaram de 33.377 para 95.572 entre 2004 e 2014. O estudo não informa quantos concluíram a graduação.



