Os estudantes que farão o Enem 2026 já podem consultar a nova edição da cartilha de redação publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O documento reforça, pelo segundo ano seguido, a orientação contra o uso de repertórios de bolso.
A expressão é usada para definir referências prontas, memorizadas e aplicadas de forma genérica, sem conexão aprofundada com o tema proposto. A cartilha explica que esse tipo de repertório pode ser considerado não produtivo e prejudicar a nota da competência II.
Como o repertório será avaliado
De acordo com o Inep, as referências socioculturais precisam ter relação legítima com o assunto, ser contextualizadas e estar articuladas aos argumentos. Também devem demonstrar que o participante consegue relacionar o conhecimento ao problema discutido.
O documento afirma que o repertório não pode ser inserido de maneira decorada, automática ou forçada. Um exemplo apresentado envolve o tema do Enem 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, associado à frase de Aristóteles sobre o ser humano como animal político.
Na avaliação do Inep, a referência é ampla, mas pouco pertinente ao tema porque não desenvolve aspectos específicos da condição das pessoas idosas no Brasil. A citação também não estabelece uma relação lógica de causa, consequência ou exemplificação com o problema apresentado. Por isso, assume função ornamental e não fortalece a argumentação.
Regra aplicada na correção
Nas edições de 2025 e 2026, a cartilha informa que o repertório sociocultural interfere na competência II. A redação tem 5 competências, com valor de 200 pontos cada, totalizando até 1.000 pontos.
Durante a correção do Enem 2025, um documento enviado aos avaliadores após os treinamentos presenciais orientou que a competência II deveria dialogar com a competência III. Com isso, repertórios considerados inadequados poderiam gerar perda de pontos em duas competências, e não em uma.
Essa orientação adicional não aparecia na cartilha de 2025 e continua fora da edição de 2026. O Inep negou, na ocasião, que tivesse alterado os critérios.
Formato e critérios da redação
Os candidatos deverão produzir um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, com base na situação-problema apresentada na prova e nos textos motivadores. A correção será feita por, no mínimo, dois avaliadores independentes. A nota final será a média aritmética das avaliações.
Podem levar à nota zero a fuga total ao tema, a redação com até 7 linhas, a inclusão de trechos desconectados, o descumprimento da estrutura dissertativo-argumentativa e o desrespeito à seriedade do exame.
Os avaliadores também analisarão o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, a organização de informações e argumentos, o uso de mecanismos linguísticos adequados e a apresentação de uma proposta de intervenção para o problema discutido.
Criado há mais de duas décadas, o Enem tem notas utilizadas na disputa por vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) e pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Instituições públicas e privadas também podem usar o exame como critério de seleção. Os resultados ainda podem ser aproveitados em universidades portuguesas conveniadas com o Inep.



