Apenas 14,7% dos estudantes que ingressaram em cursos de licenciatura em 2024 estavam entre os 20% de melhor desempenho no Enem. O percentual ficou abaixo da proporção registrada em direito, de 32,6%, e muito distante da observada em medicina, de 81,2%.
Os dados integram a 13ª edição do Anuário Brasileiro da Educação Básica, elaborado por Todos Pela Educação, Fundação Santillana e Editora Moderna. As informações foram produzidas com microdados do Enem e do Censo da Educação Superior disponibilizados na sala de segurança do Inep, órgão ligado ao Ministério da Educação. A extração ocorreu em março de 2026.
Desempenho dos ingressantes
As licenciaturas formam professores para a educação básica. Para calcular o indicador, os pesquisadores organizaram as notas do Enem em cinco grupos de tamanho aproximadamente igual. O quinto grupo reúne os 20% com melhor desempenho, enquanto o primeiro concentra os 20% com as menores notas.
O levantamento considerou estudantes que ingressaram no ensino superior e tinham nota do Enem classificada. Por isso, o grupo analisado não corresponde necessariamente a todos os matriculados nos cursos.
A presença dos alunos com as maiores notas nas licenciaturas vem diminuindo desde 2018, quando era de 23,9%. O índice caiu para 22% em 2019, 22,7% em 2020, 19,6% em 2021, 14,2% em 2022 e 14% em 2023. Em 2024, houve uma recuperação para 14,7%, ainda 9,2 pontos percentuais abaixo do resultado de 2018.
Em direito, a participação recuou de 37,9% em 2018 para 32,6% em 2024. Em medicina, passou de 95% para 81,2% no mesmo período.
Para Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, o país ainda não estruturou políticas para atrair estudantes de alto desempenho, oferecer formação inicial adequada e manter bons profissionais na carreira.
Formação durante a graduação
O levantamento também identificou dificuldades entre os concluintes. Em 2025, 20,2% dos formados em licenciaturas avaliados pelo Enade e pela PND atingiram o nível considerado adequado, enquanto 42,2% ficaram abaixo do básico.
Entre os concluintes de cursos a distância, 53,1% ficaram abaixo do nível básico. Nos cursos presenciais, o percentual foi de 26,1%.
Em pedagogia, 83% das matrículas estavam em cursos remotos em 2024. O anuário também registra que a parcela de professores da educação básica sem curso superior caiu de 23,6% em 2015 para 12,3% em 2025. Ainda assim, 1 em cada 3 docentes com diploma lecionava fora da área de formação no ensino médio.
No mesmo período, o número de professores do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1%, enquanto o contingente com mais de 60 anos mais que dobrou. Professores graduados da rede pública recebiam, em média, o equivalente a 85% do rendimento de outros trabalhadores com ensino superior.



