SÃO PAULO — A Universidade de São Paulo (USP) tinha 234 docentes que se declaravam pretos, pardos ou indígenas em 2025. Eles representavam 4,3% dos 5.482 professores da instituição, segundo dados do Anuário Estatístico da USP.
A presença desses grupos diminui nos níveis mais altos da carreira. Entre os 1.091 professores titulares, havia cinco pretos, dez pardos e um indígena — 1,5% do total. Outros 1.024 titulares, equivalentes a 93,9%, se declaravam brancos.
Diferenças entre os níveis da carreira
No primeiro nível, formado pelos professores doutores, pretos, pardos e indígenas correspondiam a 6,3% do quadro. Entre os associados, a proporção era de 3,6%. A universidade informou que, nos concursos mais recentes, 14,8% dos docentes pretos e pardos foram aprovados.
A participação desses grupos entre os professores da USP era menor que a verificada entre os estudantes de graduação, de 25,6%, e na população do estado de São Paulo, de cerca de 41,1%, conforme o Censo de 2022.
A universidade adotou em maio de 2023 uma política afirmativa para contratar professores e funcionários. A norma prevê a reserva de 20% das vagas para candidatos pretos, pardos e indígenas quando o concurso oferece pelo menos três postos do mesmo cargo e especialidade. Em editais com uma ou duas vagas, é aplicado um bônus na nota dos candidatos PPI.
A regra é criticada porque concursos separados por cargo e especialidade podem permitir sucessivas seleções para uma vaga, sem reserva direta. A USP também informou estar discutindo ajustes na política.
Ações e disputas
O número de docentes PPI registrado nos anuários passou de 140, em 2023, para 234, em 2025. A alta foi de 67%, mas os dados podem incluir atualizações cadastrais e mudanças na autodeclaração racial de professores que já estavam na universidade.
Em 2025, a Defensoria Pública entrou com uma ação contra a USP por causa da aplicação de bônus e cotas apenas em concursos com editais publicados depois da norma. A resolução prevê revisão da política após três anos, prazo completado em 2026.
Também houve disputa judicial envolvendo Érica Cristina Bispo, aprovada em primeiro lugar para uma vaga de professora de literaturas africanas de língua portuguesa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. O Ministério Público arquivou a apuração por não encontrar indícios de favorecimento, mas o Conselho Universitário anulou o concurso em março de 2025.
Em março de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo impediu o prosseguimento de um novo concurso até a definição da disputa sobre a primeira seleção. A decisão não determinou a contratação de Érica nem anulou definitivamente a decisão da universidade.



