Curitiba, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Curitiba 13°C 11° / 14° Mega-Sena 3064: 4 · 10 · 20 · 25 · 27 · 48
O que acontece aqui, primeiro
Educação

Poli-USP desenvolve tecnologias de inclusão para pessoas autistas

Projetos incluem capacitação profissional, comunicação alternativa, ferramentas de apoio sensorial e recursos para educação e terapia.

Poli-USP desenvolve tecnologias de inclusão para pessoas autistas
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) desenvolve projetos de pesquisa, extensão e inovação voltados à inclusão de pessoas autistas e de outros públicos neurodivergentes. As iniciativas envolvem alunos, professores e profissionais de diferentes áreas na criação de protótipos, treinamentos e ferramentas tecnológicas.

Uma das ações é um curso de capacitação para o mercado de trabalho, realizado no campus paulistano. A formação reúne 50 alunos autistas, dos três níveis de necessidade de suporte, que aprendem a usar ferramentas de inteligência artificial, planilhas e outros recursos. O curso termina no final de setembro. Os participantes que já estiverem trabalhando em empresas parceiras terão acompanhamento por mais três meses.

Renata Borga Casella, 30, participa da oficina. Formada em biomedicina, ela pretende migrar para a área de tecnologia. “Gostei muito de aprender PowerPoint, Excel e a mexer no Gemini”, afirmou.

Comunicação e apoio no cotidiano

O professor e pesquisador colaborador Emanuel Santana, que tem dois filhos autistas, criou o Adapte Board, um modelo nacional de prancha de comunicação aumentativa e alternativa. A ferramenta pode ser baixada gratuitamente em smartphones e computadores, usa figuras e sinais visuais e permite personalização e compartilhamento com as pessoas escolhidas pelo usuário.

“A gente coloca a acessibilidade na palma da mão da pessoa, no dispositivo que ela já tem”, disse Santana. Segundo ele, o modelo foi pensado para ter maior durabilidade e sustentabilidade do que alternativas importadas.

Outra iniciativa foi desenvolvida pelo aluno de engenharia da computação Lucas Felipe Pereira Domingues, com apoio de Eduardo Mancebo, arquiteto formado pela FAU-USP e especialista em orientação prática de pessoas no espectro há 25 anos. O dispositivo usa inteligência artificial para auxiliar na composição de músicas com objetivos terapêuticos e educativos, desde a criação da letra até a melodia e a entrega da música pronta.

Como a geração de áudio por inteligência artificial demora cerca de dois minutos, a equipe acrescentou à tela de espera um jogo de estourar bolhas e um guia de respiração guiada para reduzir o desconforto sensorial e a ansiedade.

Projetos criados por estudantes

Na disciplina de circuitos digitais, os alunos visitaram uma unidade de apoio a neurodivergentes e apresentaram 24 projetos em uma feira de conhecimento no meio deste ano. Entre eles estão o SensiLogic, uma pulseira que monitora batimentos cardíacos e transforma sinais de estresse em alertas visuais, e o Aces, voltado à identificação de frequências e ruídos que podem causar incômodo sensorial.

O Expressa permite que pessoas que não se comunicam verbalmente formem mensagens com palavras selecionadas por botões físicos. Já o LiteralMente interpreta entonações, intenções e sentidos que não aparecem de forma literal.

O Aventura Financeira usa um tabuleiro eletrônico para ensinar escolhas econômicas relacionadas a trabalho, estudo, despesas e consumo. Para o professor Jorge Luis Risco Becerra, um dos responsáveis pela iniciativa, os projetos aproximam a formação dos estudantes de aplicações práticas para a sociedade.

“Os alunos conseguiram criar artefatos que podem se transformar em protótipos de uso real”, afirmou Becerra.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.