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Educação

Mães retomam os estudos após filhos chegarem à universidade pública

As trajetórias de Douglas e Ellen mostram como o acesso ao ensino superior repercutiu nas famílias e definiu novos planos profissionais.

Mães retomam os estudos após filhos chegarem à universidade pública
Foto: Arquivo pessoal

A chegada de Douglas à universidade pública abriu uma nova etapa também para a mãe dele. Depois de acompanhar a dedicação do filho, ela retomou os estudos, concluiu a educação básica pelo EJA e, durante a pandemia, fez um curso técnico em administração na ETEC.

A mãe havia estudado somente até a 4ª série [atual 5º ano] do ensino fundamental, no sertão da Bahia. Primeiro, terminou o ensino fundamental e o médio pela Educação de Jovens e Adultos. Mais tarde, realizou o desejo de voltar à sala de aula e concluiu a formação técnica.

“Minha mãe realizou um sonho. Foi um ciclo de ajuda mútua: ela me apoiou quando eu era pequeno e eu consegui apoiá-la depois”, conta Douglas.

O caminho até a USP

Na infância, embora ninguém da família tivesse diploma, Douglas era incentivado em casa. O pai propunha desafios de lógica e matemática, enquanto a mãe procurava cursos gratuitos — foi ela quem o matriculou em espanhol.

Durante o ensino médio, ele estudou em uma escola técnica de Guaianases, onde descobriu o interesse por tecnologia, e fez o curso técnico de informática na ETEC de Itaquera. Também frequentou, aos sábados, o cursinho popular Mafalda.

Douglas participou ainda de uma preparação da pró-reitoria da USP destinada a estudantes de escolas públicas que se destacavam na Fuvest como treineiros. A iniciativa oferecia bolsa de R$ 300, vale-transporte e alimentação.

Em 2014, foi aprovado em Ciência da Computação na USP de São Carlos. Entre 100 alunos da turma, era o único que havia feito todo o ensino fundamental e médio em escola pública e ingressado diretamente. O alojamento e o restaurante universitário gratuitos foram decisivos para sua permanência, segundo ele.

Depois da graduação e do mestrado na USP, Douglas se prepara para se mudar para Chicago, nos Estados Unidos. Ele será bolsista em um MBA em inteligência artificial.

“Para mim, a educação é o principal caminho para transformar uma realidade. E ver a minha família vivendo essa transformação junto comigo é o que dá sentido a tudo”, afirma.

A escolha pela educação

A experiência de Ellen Menezes tem outro ponto de partida, mas também envolve a primeira chegada da família ao ensino superior. Aos 25 anos, ela cursa o último ano de Pedagogia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os pais de Ellen vieram da Bahia e não concluíram o ensino fundamental. A mãe vende milho e pamonha, e o pai trabalha como motorista de aplicativo. Ao ser aprovada em uma universidade pública, Ellen viu a mãe chorar de emoção.

A estudante havia passado inicialmente em Ciências Sociais, mas prestou o vestibular novamente ao perceber que queria trabalhar com educação infantil. Ela ingressou na Unicamp pelo sistema de cotas étnico-raciais.

Para Ellen, as ações afirmativas alteraram o perfil dos estudantes nas universidades públicas e ampliaram os debates acadêmicos. Após concluir a graduação, ela pretende prestar concurso para lecionar na rede pública e combinar o trabalho como professora com estudos de mestrado e doutorado.

“Existe uma desvalorização muito grande da carreira docente, especialmente na educação infantil, como se fosse um trabalho apenas de cuidado e não de ensino. Mas estar no chão da escola pública é onde quero estar”, afirma Ellen.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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