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Educação

Enamed leva faculdades a rever provas, aulas práticas e preparação dos alunos

Instituições com notas baixas mudaram critérios acadêmicos e contrataram cursinhos, enquanto estudantes questionam impactos na formação médica.

Enamed leva faculdades a rever provas, aulas práticas e preparação dos alunos
Foto: Folhapress

A pressão financeira provocada pelas sanções do Ministério da Educação levou faculdades de medicina a rever critérios de aprovação, atividades pedagógicas e formas de preparação para o Enamed. Em alguns cursos, estudantes contestaram as mudanças na Justiça ou protestaram contra a redução de atividades práticas com pacientes.

O primeiro exame avaliou 305 cursos e deu notas 1 e 2 a 107 deles, em uma escala de 5. Entre as instituições com desempenho baixo, 87 eram privadas, com ou sem fins lucrativos. Os resultados foram divulgados em janeiro deste ano. Dependendo da nota e do percentual de alunos proficientes, o MEC estabeleceu medidas que incluem supervisão mais rigorosa, restrição à abertura de vagas e impedimento de receber novos estudantes.

Disputas sobre critérios de aprovação

Na Uniderp, em Campo Grande, a média mínima para avançar no curso subiu de 6 para 7 pontos em março. Alunos questionaram a alteração, feita durante o semestre, e também relataram redução da carga horária de atendimento a pacientes, substituída por aulas em laboratório e atividades de um cursinho voltado ao exame.

A instituição recebeu nota 2 no Enamed e teve entre 50% e 59,9% dos estudantes classificados como proficientes. Por esse motivo, não foi sancionada, mas passou a ser acompanhada com mais rigor pelo MEC.

Em uma ação judicial, a faculdade afirmou ter autonomia para estabelecer exigências pedagógicas e disse que as novas regras buscavam aperfeiçoar a avaliação. No fim de junho, uma decisão liminar apontou indícios de alteração relevante nos critérios de aprovação. O juiz determinou que as notas e a situação acadêmica fossem calculadas pelas regras anteriores, válidas no início do semestre de 2026, porque os critérios deveriam ser divulgados com antecedência mínima de 30 dias do começo das aulas. A Uniderp recorreu.

A instituição afirmou ter revisado o projeto pedagógico para adotar um modelo de avaliação contínua e integrada, com conhecimentos teóricos, habilidades clínicas, profissionalismo e desempenho prático. Também citou ações de tutoria, acompanhamento da aprendizagem, capacitação docente e a contratação do Grupo MecCof, especializado na preparação para o Enamed e para provas de residência médica. Sobre a decisão judicial, disse que ela tem prazo determinado e não encerrou definitivamente as iniciativas adotadas.

Na Unicid, em São Paulo, a direção também anunciou o aumento da média, de 5 para 6 pontos, a partir do segundo semestre deste ano. Em agosto, estudantes protestaram e pediram contratação de professores e mais atividades práticas com pacientes reais. Depois da mobilização, a faculdade adiou a mudança para o próximo ano e informou que avaliava atender parte das reivindicações.

Alunos questionam efeitos no ensino

Na Unisa, na capital paulista, 39 estudantes recorreram à Justiça depois de serem reprovados. Eles alegam que a instituição aplicou de forma retroativa critérios novos e não informados previamente, invalidando atividades após manifestações por melhorias no curso.

A faculdade teve nota 2 e menos da metade dos alunos com desempenho considerado proficiente. Como sanção, teve a oferta de novas vagas no vestibular reduzida em 25% e ficou impedida de firmar novos contratos do Fies. O processo ainda tramita na Justiça. Unicid e Unisa não responderam aos contatos feitos por email.

Nas duas instituições, os estudantes afirmam que não são contra o aumento da exigência acadêmica, mas questionam a falta de condições adequadas para aprender. O Enamed é aplicado a concluintes da graduação, e a segunda edição ocorreu neste domingo (13).

Para Alexandre Nicolini, especialista em currículo e avaliação no ensino superior, as penalidades aumentaram a preocupação das faculdades com possíveis perdas financeiras. Ele estima que uma instituição impedida de receber novos alunos possa deixar de arrecadar cerca de R$ 1 milhão por mês, considerando duas turmas novas de 50 alunos e mensalidade de R$ 10 mil.

Nicolini considera a contratação de cursinhos uma medida paliativa, porque prepara para o conteúdo da prova, mas não necessariamente para o desenvolvimento da competência médica. Antônio José Gonçalves, presidente da APM e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, também criticou a substituição de atividades do internato por aulas preparatórias. Para ele, a nota pode subir sem que haja melhora correspondente na formação.

A Abmes afirmou ser natural que as instituições usem os resultados do Enamed para identificar lacunas e aperfeiçoar projetos pedagógicos, avaliações, atividades práticas, corpo docente e acompanhamento da aprendizagem. A entidade, porém, disse que a meta não deve ser apenas elevar o desempenho no exame, mas garantir as competências necessárias ao exercício responsável da medicina.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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