SÃO PAULO — Cristian atribui à persistência a trajetória que o levou da periferia de Belo Horizonte a títulos pelo Paulista, de Jundiaí, e pelo Corinthians, além de uma passagem vitoriosa pelo futebol da Turquia. Hoje comentarista esportivo, ele também falou sobre episódios marcantes e dificuldades financeiras enfrentadas ao longo da carreira.
A conquista da Copa do Brasil pelo Paulista foi o primeiro grande ponto de virada. O time dirigido por Mancini eliminou Juventude, Botafogo e Internacional antes de superar o Figueirense. Na semifinal, enfrentou o Cruzeiro, clube que havia dispensado Cristian, e venceu por 3 a 1 em Jundiaí. Em Belo Horizonte, perdeu o primeiro tempo por 3 a 0, mas reagiu após um gol de falta e chegou ao 3 a 2.
Na decisão contra o Fluminense, o Paulista venceu por 2 a 0 em Jundiaí e empatou em 0 a 0 no Rio. Cristian classificou a campanha como uma façanha que, na avaliação dele, não deve se repetir pelo clube.
Do trabalho como gandula aos títulos
Antes de se firmar no futebol profissional, Cristian foi recusado por Cruzeiro e América. Na Coreia do Sul, tentou jogar, mas acabou limpando ruas e passou fome. No Paulista, morou debaixo das arquibancadas, recebeu ajuda de custo de R$ 300 e trabalhava como gandula por R$ 30 por jogo para comprar um lanche.
Depois, passou pelo Athletico Paranaense, onde disse não ter rendido por causa do frio e da falta de adaptação. Em seguida, foi para o Flamengo, em um período descrito por ele como caótico, até receber o convite de Mano Menezes para jogar no Corinthians.
Cristian era torcedor do clube e formou dupla com Elias. No Corinthians, jogou ao lado de Ronaldo, a quem admirava, e conquistou o título de 2009. Também contou que mostrou os dedos médios para torcedores do São Paulo no Pacaembu e quase foi preso. Mais tarde, Ronaldo repetiu o gesto contra o Santos, segundo Cristian, para protegê-lo.
Turquia, retorno e nova função
Ainda em 2009, Cristian foi vendido para a Turquia sem saber. No Fenerbahçe, jogou com Alex e conquistou cinco títulos durante cinco anos. Voltou ao Corinthians a pedido do filho e foi campeão brasileiro em 2015. Depois de um conflito com Alessandro, que era o executivo de futebol, deixou o clube.
No Grêmio, descobriu problemas na forma como seu dinheiro era tratado ao longo dos anos e passou a lutar pelo que havia perdido. Também afirmou ter sido traído pelo empresário. Mais tarde, sua carreira profissional caminhou para o fim, embora ele ainda jogue futebol na várzea.
O filho de Cristian, também volante, atua na base do Corinthians e já treina com os profissionais. Na nova carreira como comentarista, Cristian diz estudar muito e buscar uma atuação ética, com respeito aos jogadores e às pessoas.



