Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou o crescimento da direita na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e na bancada fluminense da Câmara dos Deputados ao longo das últimas duas décadas. O levantamento analisou as cinco eleições mais recentes para os dois legislativos.
O estudo é produzido pelo Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM), ligado ao Departamento de Ciência Política da UFRJ. A classificação usa indicadores de ideologia adotados pela ciência política e é atualizada quando surgem novos partidos ou quando as siglas mudam de perfil.
Mudanças na Alerj
Em 2002, 52% dos deputados estaduais pertenciam a partidos classificados como de direita. Naquele ano, os partidos de centro-esquerda reuniam 22%, os de esquerda, 12%, os de centro, 5%, e os de centro-direita, 5%.
A partir de 2006, a direita passou a ocupar mais de 60% das cadeiras da Alerj. No período, centro-esquerda e esquerda perderam espaço, embora esses grupos tenham apresentado recuperação em 2010. A direita voltou a crescer a partir de 2014.
Em 2018, a esquerda recuou novamente, enquanto o centro perdeu espaço. Na legislatura eleita em 2022, o centro deixou de aparecer na classificação usada pelo levantamento.
A pesquisa também aponta uma alteração dentro do campo da direita. Na legislatura atual, mais da metade dos parlamentares classificados nesse espectro está em partidos identificados como de direita ou extrema-direita.
Para Mayra Goulart, coordenadora do LAPPCOM, houve uma mudança na liderança desse campo político. “É um redimensionamento dentro da direita, que antes era hegemonizada por partidos mais tradicionais e passou a ser hegemonizada por esses novos partidos.”
Bancada do Rio na Câmara
A mudança também aparece entre os deputados federais do Rio de Janeiro. Na legislatura atual, 67% da bancada está classificada no campo da direita. A esquerda representa 23%, enquanto centro-esquerda e centro-direita têm 4% cada.
Um estudo acadêmico sobre o período de 1982 a 2018 já havia identificado mudanças nas bancadas da Alerj e da Câmara, com perda de força de partidos tradicionalmente ligados ao centro e avanço de siglas posicionadas nos extremos.
A classificação ideológica, porém, não determina todos os votos. Mayra Goulart afirma que parlamentares de diferentes campos podem atuar juntos em temas ligados aos recursos que controlam, como os royalties do petróleo destinados ao estado do Rio de Janeiro.
Guilherme Brandão, diretor-geral da Câmara dos Deputados, disse que propostas precisam reunir apoio suficiente para avançar: “O que entra na pauta? Aquilo que tem consenso, aquilo que tem voto, aquilo que vai ser aprovado.” Jovita Rosa, presidente do Instituto de Fiscalização e Controle, também destacou a necessidade de diálogo entre posições diferentes.



