SÃO PAULO — Memphis Depay deve continuar no Corinthians até dezembro, apesar das vaias e dos xingamentos recebidos após perder um pênalti contra o Estudiantes, no último lance das quartas de final da Libertadores. A cobrança eliminou o time da competição e aumentou a pressão sobre o jogador e a direção do clube.
Abalado no vestiário, Memphis deixou a arena de Itaquera por uma porta lateral, acompanhado por seguranças e ao lado de Gustavo Henrique. O zagueiro havia sugerido que ele evitasse o contato com a imprensa e com a torcida. Antes disso, o holandês liderou os jogadores em uma tentativa de retribuir com aplausos o apoio das arquibancadas, mas recebeu vaias, palavrões e pedidos para ir embora.
Fernando Diniz abraçou o atacante e passou a defender sua permanência. O treinador também levou esse pedido ao executivo Marcelo Paz e ao presidente Osmar Stabile. Para Diniz, Memphis é necessário na sequência do Brasileiro, única competição que restou ao Corinthians.
Contrato e situação financeira
O Corinthians está impedido pela Fifa de contratar por causa de três transfer ban relacionados a pagamentos pendentes a clubes. Nesse cenário, Stabile não considera uma rescisão imediata. O jogador pode cobrar o clube na Fifa, e a direção afirma não ter dinheiro para encerrar o vínculo.
A renovação por dois anos compromete R$ 104 milhões em salários, luvas e premiações. O valor inclui R$ 42 milhões já devidos a Memphis pelo contrato anterior. O salário atual é de R$ 2,5 milhões. Com o acordo para o pagamento da dívida, ele pode chegar a R$ 6 milhões a cada 30 dias.
O Corinthians ainda tem 11 partidas restantes no ano, todas pelo Brasileiro. O time está a quatro pontos da zona do rebaixamento e terá pela frente Fluminense, em Itaquera, Internacional, em Porto Alegre, e Palmeiras, no Nubank Parque.
A eliminação também provocou perda financeira. Pelos cálculos da direção, o clube deixou de receber R$ 12 milhões da Conmebol e pelo menos R$ 7 milhões de uma possível partida contra o Flamengo, em Itaquera. O total estimado é de R$ 19 milhões.
Memphis perdeu três dos seis pênaltis cobrados desde que chegou ao Brasil. Ainda assim, os jogadores apoiaram a renovação e o tratam como um líder positivo. No Parque São Jorge, há quem diga que ele vinha atuando com dores decorrentes de um estiramento mal curado em março deste ano.
Os principais mercados para uma transferência também estão restritos. Clubes turcos interessados só podiam contratar até o dia 4 deste mês, enquanto a janela dos Estados Unidos terminou no dia 2. A janela do mundo árabe continua aberta, mas Memphis não deseja seguir para essa região por causa da postura religiosa rígida.
A permanência pode ser reavaliada na eleição presidencial do Corinthians, em dezembro. Até lá, a previsão é que o atacante fique para os 11 jogos restantes de 2026.



