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Paraná

Empresa de Flávio Bolsonaro divide endereço com firmas do Careca do INSS

A Bravo Grafeno e pelo menos 16 empresas de Antonio Carlos Camilo Antunes estão registradas na mesma sala em Águas Claras, no Distrito Federal.

Empresas de Flávio Bolsonaro e Careca do INSS dividem a mesma sala em Brasília

A empresa de capacetes Bravo Grafeno, que tem o senador Flávio Bolsonaro (PL) entre os donos, está registrada no mesmo endereço em Brasília que pelo menos 16 empresas ligadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que já participou da sociedade, divulga a marca.

O endereço é a sala 2601, bloco D, do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, região administrativa do Distrito Federal. A Bravo Grafeno foi aberta pela família Bolsonaro em junho de 2024 e tem capital social de R$ 100 mil.

Antunes é um dos principais investigados na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Ele está preso preventivamente desde setembro de 2025, no Presídio da Papuda, em Brasília. As investigações apontam que empresas de fachada eram usadas para desviar mensalidades recebidas irregularmente de associações de aposentados.

Endereço compartilhado

A sala 2601 aparece no cadastro da Bravo Grafeno e de empresas associadas a Antunes. A contabilidade da empresa de Flávio Bolsonaro é feita pela Voga Serviços Contábeis, que pertence a Alexandre Caetano dos Reis, também apontado como sócio do Careca do INSS.

A Voga ocupa quatro salas no 26º andar do edifício, incluindo a 2603, onde funciona sua recepção. O advogado Thalles Setúbal confirmou que o escritório presta serviços à empresa de Flávio Bolsonaro, mas negou que a sala 2601 pertencesse à contabilidade. Funcionários que circulavam pelo corredor, porém, indicaram que o local também era usado pela Voga.

Questionado sobre a relação entre a empresa contábil, o senador e as investigações da Polícia Federal, Setúbal respondeu: “A gente se posiciona nos autos, não com imprensa”.

Alexandre Caetano dos Reis está preso desde dezembro de 2025. Ele foi sócio de Antunes em uma empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. O e-mail da Voga também aparece em notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.

Letícia Caetano dos Reis, irmã de Alexandre, administra o escritório do senador. Ela afirmou que chegou ao local por indicação de Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro e advogado que foi alvo da Operação Sem Desconto. Tomaz tem procuração para defender Alexandre na investigação sobre os desvios no INSS.

Empresa de capacetes

A Bravo Grafeno vende dois modelos de capacete por R$ 598,90 e viseiras branca e preta por R$ 54. O domínio do site foi registrado em julho de 2024 em nome de Flávio Bolsonaro.

Jair Bolsonaro lançou o produto em 11 de março de 2025, no Salão das Motopeças, em São Paulo. O ex-presidente também aparece em vídeo de divulgação da marca. Nelson Piquet divulgou a empresa durante uma live em 2025.

Carlos Bolsonaro, ex-vereador e filho de Jair Bolsonaro, também figura na sociedade da empresa. Ele disputa uma vaga ao Senado pelo PL em Santa Catarina. Outros sócios são Pedro Luiz Dias Leite, Paulo Giordano Bernardi e Fernando Nascimento Pessoa, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Empresas na sala 2601

Entre as empresas registradas no endereço está a Prospect Consultoria Empresarial. De acordo com o relatório final da CPMI, a companhia recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas. Desse total, R$ 115,9 milhões vieram da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA.

A Prospect aparece associada à movimentação de recursos investigada no caso do INSS. Os documentos da comissão registram para a empresa o mesmo endereço da sala 2601, na QS 1, Rua 212, lotes 19, 21 e 23.

O levantamento identificou que oito empresas foram abertas no mesmo dia: 5 de outubro de 2023. Outra, a RPLD Construtora e Incorporadora, foi registrada um mês depois da Bravo Grafeno. O grupo reunia negócios de consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e call center.

As fraudes investigadas ocorreram entre 2019 e 2024 e atingiram mais de 4,3 milhões de aposentados e pensionistas. O prejuízo informado é de R$ 2 bilhões aos cofres públicos.

Flávio Bolsonaro já negou envolvimento no escândalo. Ele não havia se pronunciado sobre o endereço compartilhado. A defesa de Antunes também não havia respondido até o fechamento das informações.

Texto produzido pela Redação Mapa do Dia com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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