Documentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República indicam que o senador Flávio Bolsonaro atuava diretamente nas negociações para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O material também aponta que Eduardo Bolsonaro orientava a administração dos recursos levantados para a produção nos Estados Unidos.
As informações constam de documentos cujo sigilo foi retirado pelo Supremo Tribunal Federal. A divulgação ocorreu depois de o presidente da Corte, Edson Fachin, determinar a publicidade do material relacionado ao Banco Master. O relator do caso, ministro André Mendonça, atendeu à decisão.
Negociações e valores
Segundo a investigação, Flávio trocou mensagens com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, encontrou-se pessoalmente com ele e fez cobranças para que fossem realizados aportes no filme. A Polícia Federal afirma que o senador acompanhava o andamento das gravações e participava das tratativas sobre pagamentos.
Os documentos apontam a negociação de pelo menos US$ 24 milhões para a produção, dos quais pelo menos US$ 12,3 milhões teriam sido pagos. Os valores correspondem, atualmente, a aproximadamente R$ 122,7 milhões e cerca de R$ 62,9 milhões, respectivamente.
A corporação também afirma que Eduardo Bolsonaro dava “orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos”. A gestão seria feita por meio do fundo Havengate, ligado ao advogado Paulo Calixto.
Criado em 2020, o fundo teria permanecido sem movimentação até fevereiro de 2025, quando recebeu US$ 2 milhões da Entre, empresa apontada nos documentos como responsável pelos pagamentos relacionados ao filme. Para a Polícia Federal, é necessário esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores.
Investigação sobre o filme
A Procuradoria-Geral da República endossou as conclusões e pediu também o levantamento de propostas legislativas apresentadas por Flávio Bolsonaro e pelo deputado Mário Frias que possam ter beneficiado Vorcaro ou o Banco Master.
A operação autorizada pelo ministro Flávio Dino investiga possível desvio de R$ 750 mil da produção e o uso de verba pública. Entre os alvos está Mário Frias, que, segundo o relatório, destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. A organização é presidida por Karina Gama, também proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme.
Flávio Bolsonaro pediu o fim do sigilo sobre o material e negou irregularidades. “Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto”, afirmou em entrevista. Em outra declaração, chamou a operação de “fajuta”.



