O deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ) foi alvo, nesta quinta-feira (3), de uma operação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de compra de votos em Nilópolis, na Baixada Fluminense, durante as eleições municipais de 2024.
Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na casa do parlamentar, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A ordem foi expedida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota, Abrão disse ter recebido “com estranheza” a ação e afirmou que não foi candidato nas eleições de 2024. O deputado também declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Trajetória política e ligação com a Beija-Flor
Ricardo Abrão é filho de Farid Abrão David, que foi prefeito de Nilópolis por 3 vezes e presidiu a escola de samba Beija-Flor. Ele também é sobrinho de Aniz Abraão David, conhecido como Anísio, patrono da agremiação.
Anísio foi preso pela Polícia Federal nas operações Furacão 2 e Dedo de Deus, relacionadas ao jogo do bicho. Na Operação Furacão 2, ele foi condenado.
Abrão assumiu o mandato de deputado federal em abril de 2025, depois da cassação do mandato de Chiquinho Brazão. Em fevereiro deste ano, Brazão foi condenado pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Antes de chegar à Câmara dos Deputados, Ricardo Abrão exerceu 2 mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e ocupou o cargo de secretário de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Investigações em Nilópolis
A ação desta quinta-feira é um desdobramento de uma investigação iniciada em outubro de 2024. Na ocasião, 24 pessoas foram presas em flagrante. Em fevereiro de 2025, a Polícia Federal cumpriu mandados na Operação Astreia, que teve como alvo Abraão Davi Neto, o Abraãozinho (PL), prefeito de Nilópolis e primo de Ricardo Abrão.
As investigações apontam que o grupo atuava como cabos eleitorais de Abraãozinho e foi encontrado com R$ 63 mil em espécie, que seriam destinados à compra de votos. No imóvel usado pelo candidato, também foram apreendidos um carro com propaganda eleitoral e uma pistola com 2 carregadores.
Na Operação Astreia, foram cumpridos 2 mandados de busca. A PF apreendeu R$ 172 mil em espécie na casa de Abraãozinho, além de celulares, mídias e documentos. Ele era investigado por compra de votos, fraude à cota de gênero, apropriação de recursos de financiamento eleitoral e lavagem de dinheiro. Abraãozinho negou as acusações e afirmou estar à disposição da Justiça.


