NILÓPOLIS — A Polícia Federal afirma que o deputado federal Ricardo Abrão (PSDB) montou um comitê clandestino para comprar votos para o primo, Abrãozinho, eleito prefeito de Nilópolis nas eleições de 2024. O parlamentar disputa a reeleição.
O imóvel, identificado por uma placa de “vende-se”, era chamado de “QG” pelo grupo. De acordo com a PF, Ricardo Abrão entregava dinheiro pessoalmente no local, onde também eram feitos pagamentos a cabos eleitorais e eleitores. A investigação o aponta como responsável por abastecer a estrutura.
Durante uma vigilância de 6h, os investigadores observaram grande circulação de pessoas em uma casa sem identificação de comitê político ou vínculo familiar aparente. Ao deixar o imóvel, pelo menos três pessoas tentaram esconder mochilas. A PF encontrou R$ 5,5 mil, R$ 11 mil e R$ 23,2 mil em espécie, em cada uma delas.
Dentro da casa, foram apreendidos materiais de campanha de Abrãozinho, um caderno com lista de votantes e outros cadernos com anotações de pagamentos. Nos celulares dos presos, os investigadores encontraram um grupo de mensagens chamado “QG”. Um dos telefones estava vinculado a uma empresa da qual Ricardo Abrão é sócio.
A apuração começou na Delegacia de Defesa Institucional (Delinst), da Polícia Federal no Rio, e foi ampliada pela Coordenadoria de Inquéritos (Cinq), responsável por investigações de pessoas com foro no STF. A PF chegou ao nome do deputado após prender 24 pessoas em 2024.
Em um pedido de busca, o ministro Flávio Dino afirmou que Ricardo Martins David seria o eixo central do suporte financeiro e político da organização criminosa. Uma mensagem encontrada em um celular apreendido dizia: “Ricardo Abrão esteve lá e deixou o carvão”.
O que diz o deputado
A assessoria de Ricardo Abrão negou qualquer participação e classificou as acusações como infundadas. Segundo a nota, o imóvel era o comitê oficial de campanha, conforme o CNPJ do candidato e o registro no TRE, e o deputado não foi candidato naquele pleito.
A defesa também afirmou estranhar a divulgação dos fatos às vésperas de uma eleição e declarou que o parlamentar mantém compromisso com a legalidade e a verdade, além de estar à disposição das instâncias competentes.


