RIO DE JANEIRO — O governo do estado do Rio de Janeiro reforçou a estrutura de prevenção e resposta a desastres diante da previsão de mudanças no regime de chuvas associadas ao El Niño. Meteorologistas indicam períodos de chuva mais frequentes em setembro e outubro, seguidos por uma fase mais seca entre o fim da primavera e o verão. Depois da estiagem, a expectativa é de chuvas mais intensas no verão.
Uma das medidas adotadas foi a criação, no fim do ano passado, da Força Especializada da Defesa Civil, formada por cerca de 200 militares. O grupo atua na prevenção e em situações de emergência.
A preparação inclui treinamentos para a montagem de bases operacionais em áreas atingidas por eventos extremos. Nas simulações, uma estrutura temporária pode ser convertida em gabinete de crise, com coordenadores e representantes de órgãos mobilizados acompanhando informações para definir as ações.
Um analista monitora imagens e dados exibidos em um telão e prepara relatórios para orientar as autoridades. “O analista faz um relatório, chega na mão da autoridade”, explicou o tenente-coronel Gilvane Dias, oficial da Força Especializada da Defesa Civil.
A estrutura também tem um superdrone avaliado em cerca de R$ 3 milhões. O equipamento é utilizado no monitoramento e no transporte de objetos para locais de difícil acesso.
Prevenção de incêndios
A possibilidade de períodos secos aumentou a preocupação com incêndios florestais. O governo federal criou um grupo de especialistas para acompanhar eventos extremos relacionados ao fenômeno. Ministérios, institutos de pesquisa e universidades participam do monitoramento.
A Sala de Situação para Incêndios Florestais foi retomada, e o número de brigadistas aumentou. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que o estado indicou, no fim de agosto, as áreas prioritárias para ações de prevenção e combate.
Dois documentos recomendados pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo ainda não tinham sido apresentados pelo governo estadual. O prazo terminou em 6 de agosto, e o estado não informou por que os documentos não foram encaminhados.
Áreas sob risco de temporais
A previsão de chuvas mais intensas no verão também levou os municípios a se prepararem para alagamentos, deslizamentos e outros desastres. Uma nota técnica da Secretaria Estadual de Ambiente avaliou os riscos em 30 cidades. Conforme o documento, 83% da área analisada foi classificada como de alta ou média possibilidade de desastres provocados por chuvas fortes.
Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis estão entre os municípios da Região Serrana com maior risco. Em julho, o governo estadual criou o Comitê de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, que reúne 18 órgãos para coordenar medidas entre o estado e os municípios e agilizar a resposta em emergências.
O El Niño ocorre quando as águas de uma região do Oceano Pacífico ficam mais quentes que o normal. Esse aquecimento interfere na circulação da atmosfera e pode alterar os padrões de chuva, temperatura e vento. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no Rio, a tendência é de mais chuva em setembro e outubro e períodos secos entre o fim da primavera e o verão. A intensidade e os impactos podem variar ao longo dos meses.



