CURITIBA — A sabatina de Filipe Barros (PL), candidato ao Senado, não incluiu perguntas sobre o Banco Master nem sobre o projeto apresentado por ele para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A ausência foi criticada na Boca Maldita, onde circulou a avaliação de que o candidato não precisou explicar sua atuação legislativa relacionada ao tema.
Na entrevista, realizada nesta quinta-feira, 3 de setembro, os jornalistas Roberson Jannuzzi, Ana Carolina Oleksy e Marcelo Rocha questionaram Barros sobre aliados políticos, Fundo Especial de Financiamento de Campanha, Supremo Tribunal Federal, pedágios, segurança pública e mudanças de posição.
O projeto sobre o FGC
Filipe Barros apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4.395/2024, protocolado em 14 de novembro de 2024. A proposta previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF ou CNPJ o limite de cobertura do FGC. O deputado retirou o projeto em 3 de fevereiro de 2026.
Uma iniciativa com a mesma ideia foi apresentada no Senado por Ciro Nogueira (PP-PI), alcançado pela Operação Compliance Zero no episódio envolvendo o Banco Master. A semelhança colocou o FGC no centro do debate político sobre o caso.
A existência do projeto não torna Barros investigado. Até o momento, não há confirmação pública de que a Polícia Federal tenha colocado o deputado como alvo da operação. Também não há base para afirmar que a proposta tenha sido apresentada para beneficiar o Banco Master.
A questão levantada é política: por que Barros propôs elevar quatro vezes a cobertura do FGC e depois retirou o texto? Outra pergunta possível seria se representantes do Banco Master, de Daniel Vorcaro ou de pessoas ligadas à instituição procuraram o deputado para tratar da proposta.
Temas abordados na entrevista
A bancada perguntou a Barros sobre críticas antigas a Sergio Moro e Deltan Dallagnol. O candidato disse que as divergências ficaram para trás e que os três estão unidos em um projeto para derrotar o PT. Também defendeu Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, ao ser questionado sobre a condenação do dirigente no caso do mensalão.
Barros ainda falou sobre STF, redução da maioridade penal, fim do fundo eleitoral, doações privadas, redução da jornada 6×1, combate à corrupção, concessões rodoviárias e relações com os Estados Unidos. Sobre os R$ 3,8 milhões recebidos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, afirmou que o mecanismo deveria ser extinto e substituído por doações privadas.
A crítica à entrevista não afirma que a RPC TV tivesse obrigação de abordar o Banco Master. O ponto é que o candidato, que disputa uma das duas vagas do Paraná no Senado e construiu sua atuação política em torno do combate à corrupção, não foi questionado sobre um projeto específico relacionado à proteção de investidores.
Também não houve explicação pública, durante a sabatina, sobre a cronologia entre a apresentação do PL 4.395/2024 e a retirada da proposta. O caso, portanto, deixou uma questão sem resposta para o eleitor: por que Filipe Barros não foi perguntado sobre o Banco Master?



