SÃO PAULO — A Prefeitura de São Paulo cancelou o cadastro municipal do taxista Marcos Oliveira de Morais, investigado pela Polícia Civil por suspeita de cobrar R$ 30.350 de um torcedor argentino do Boca Juniors. A corrida havia sido informada pelo motorista como de R$ 30,75. O táxi usado no caso também foi apreendido administrativamente.
As medidas foram tomadas pelo Departamento de Transportes Públicos (DTP), que informou estar à disposição das autoridades responsáveis pela investigação. Em nota divulgada na terça-feira (29), a prefeitura afirmou: “O táxi envolvido no caso foi apreendido, e o taxista teve o Condutax (Cadastro Municipal de Condutores de Táxi) cancelado”.
Investigação
O episódio aconteceu em 15 de setembro, antes da partida entre São Paulo e Boca Juniors pelas quartas de final da Copa Sul-Americana. O torcedor pagou a corrida por meio eletrônico e só depois percebeu que R$ 30.350 haviam sido debitados de sua conta, embora tivesse digitado R$ 30,75 na máquina de pagamento.
Morais foi localizado pela Polícia Militar durante uma blitz. Na abordagem, os agentes apreenderam uma máquina de pagamento e um celular, que serão submetidos à perícia da Polícia Técnico-Científica. O motorista foi indiciado por estelionato cometido por meio eletrônico e responde em liberdade.
A Polícia Civil informou que o táxi pertence a uma frota. O responsável pelo veículo havia solicitado a devolução, mas, como o automóvel não foi entregue, registrou uma queixa. Depois de uma blitz, a SPTrans apreendeu o carro.
Devolução do dinheiro
Durante o interrogatório, Morais disse que acreditava ter recebido uma gorjeta ou doação. Ele declarou que usou R$ 19 mil para pagar dívidas e que não conseguiria devolver todo o valor de uma vez. A proposta apresentada foi de pagamentos de R$ 1 mil por mês. Até a última informação divulgada pela polícia, R$ 11,7 mil tinham sido devolvidos ao torcedor.
O argentino procurou a Delegacia de Polícia de Atendimento ao Turista depois de não receber resposta às mensagens enviadas ao motorista. À investigação, ele também entregou conversas por celular nas quais cobrava a devolução do valor descontado a mais.
O torcedor pediu para não ser identificado e disse à polícia que não errou ao digitar o valor nem autorizou uma doação. Apesar do ocorrido, afirmou que pretende voltar ao Brasil para assistir ao jogo entre Vasco e Boca, marcado para 20 de outubro. Morais não teve a defesa localizada para comentar o caso.


